MPSP e PF investigam corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil
Operação Bazaar cumpre mandados contra policiais civis, doleiros e advogados
Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Federal (PF) investiga um esquema de corrupção policial que teria garantido proteção a uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro. Batizada de Operação Bazaar, a ofensiva foi deflagrada na quinta-feira (5) e cumpre mandados contra policiais civis, doleiros, advogados e operadores financeiros suspeitos de integrar o grupo.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Federal, da Polícia Civil e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Ao todo, a Justiça autorizou 25 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de prisão preventiva e seis intimações relacionadas a medidas cautelares. As ordens judiciais são cumpridas na capital paulista e em cidades do interior, inclusive dentro de delegacias.
De acordo com as investigações do Gaeco, o esquema envolvia uma organização criminosa responsáveis por estruturar mecanismos para lavar grandes quantias de dinheiro. Em contrapartida, integrantes da Polícia Civil receberiam pagamentos frequentes para garantir proteção ao grupo e evitar que as atividades ilegais fossem descobertas ou interrompidas.
Segundo o Ministério Público, os investigados adotavam diversas estratégias para manter o funcionamento da organização criminosa. Entre elas estavam manipulação de investigações, fraude processual e destruição de provas em inquéritos policiais, além de pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos. A atuação coordenada permitiria que o grupo continuasse operando sem responsabilização criminal.
Entre os alvos da operação estão doleiros investigados anteriormente em grandes esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no país, apontados como operadores financeiros da organização. Suspeitos já foram presos, incluindo policiais civis, advogados e integrantes do grupo criminoso.
As investigações também apontam mecanismos sofisticados para ocultação de recursos ilícitos. Um dos métodos identificados foi a conversão de dinheiro em espécie em créditos de cartões de vale-refeição, que posteriormente eram utilizados em estabelecimentos comerciais de fachada. Em seguida, os valores eram transferidos para empresas fictícias, dando aparência de legalidade aos recursos e permitindo sua reinserção no sistema financeiro.
Outro episódio identificado durante a apuração envolve a troca de um HD apreendido em uma delegacia por outro dispositivo vazio, com o objetivo de eliminar provas que poderiam incriminar integrantes da organização criminosa. A substituição teria ocorrido com a ajuda de um investigador da Polícia Civil.
Segundo os promotores responsáveis pelo caso, o conjunto de evidências aponta para um esquema estruturado de corrupção dentro da própria corporação, que teria atuado em diferentes unidades da Polícia Civil, incluindo departamentos especializados em investigação criminal.
O nome da operação, Bazaar, faz referência à ideia de um grande mercado de transações, simbolizando o complexo sistema de movimentação financeira usado pela organização para ocultar e lavar dinheiro de origem ilícita.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar a extensão do esquema. O Ministério Público afirma que a operação busca desarticular a rede criminosa e responsabilizar tanto os operadores financeiros quanto os agentes públicos suspeitos de participação no esquema.
A atuação integrada entre Ministério Público e forças policiais tem sido uma das principais estratégias no enfrentamento ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no estado. De acordo com os investigadores, a cooperação entre os órgãos permite ampliar o rastreamento de movimentações financeiras suspeitas.
O Correio tenta contato com a Polícia Civil de São Paulo, mas até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno.
