Fiesp cria Conselho de Educação e define prioridades
Conselho pretende influenciar políticas públicas e priorizar integração entre ensino básico e formação técnica
A educação foi apontada como eixo estratégico para o desenvolvimento econômico e social do país durante reunião realizada na quinta-feira (12), na qual a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo instituiu seu Conselho Superior de Educação. O colegiado passa a integrar a estrutura de conselhos temáticos da entidade com a proposta de qualificar o debate público e contribuir para a formulação de políticas educacionais.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o novo conselho deverá atuar na análise técnica de temas que impactam o desenvolvimento nacional. Segundo ele, a entidade tem responsabilidade que ultrapassa interesses setoriais e regionais. “Precisamos ter discussões técnicas em diversas áreas que impactam a sociedade o tempo todo”, declarou antes da diplomação dos integrantes do colegiado.
A presidência do conselho será exercida pelo deputado federal por Pernambuco e ex-ministro da Educação José Mendonça Filho. Ao assumir a função, ele destacou que o grupo pretende acompanhar, avaliar e influenciar políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade do ensino. Mendonça Filho afirmou que o colegiado terá visão sistêmica, com atenção prioritária à educação básica.
De acordo com o parlamentar, parte significativa dos problemas educacionais brasileiros está relacionada às fragilidades nos anos iniciais de escolarização e à baixa qualidade da alfabetização, fatores que comprometem o desempenho ao longo de toda a trajetória escolar. Para ele, a educação técnica profissionalizante deve estar articulada a essa base e integrada ao ensino médio.
A 1ª vice-presidente do conselho, Maria Helena Guimarães Castro, também defendeu a integração entre ensino médio e formação técnica. Ela ressaltou que os estados concentram a responsabilidade pela oferta dessa etapa e que o modelo integrado pode ampliar oportunidades tanto de inserção no mercado de trabalho quanto de continuidade dos estudos no ensino superior.
Durante o encontro, Skaf destacou a estrutura educacional mantida pelas entidades ligadas ao setor industrial em São Paulo. Ele preside o Serviço Social da Indústria de São Paulo e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo, que, segundo dados apresentados, formam a maior rede privada de educação do país. O Senai-SP registra cerca de um milhão de matrículas anuais, mantém 29 faculdades e diversos centros de tecnologia.
O Sesi-SP atende aproximadamente 103 mil estudantes na educação básica regular e cerca de 40 mil na Educação de Jovens e Adultos, distribuídos em 137 escolas presentes em 112 municípios. Metade do público é composta por alunos de baixa renda, com formação financiada pela indústria. No ensino médio, os estudantes cursam formação integrada aos cursos técnicos do Senai-SP, com carga horária que soma 2.100 horas de base comum e 1.200 horas de formação técnica.
Entre as iniciativas conjuntas das duas instituições estão programas de apoio financeiro a alunos que ingressam nas faculdades do Senai-SP, formação docente com residência educacional desde o primeiro ano da graduação e ações de capacitação voltadas à alfabetização e à pós-graduação de professores da rede pública.
Skaf afirmou que, em gestões anteriores, foram construídas mais de 100 escolas, totalizando mais de um milhão de metros quadrados de área. Para o atual mandato, contudo, a prioridade será ampliar investimentos em tecnologia e inovação pedagógica. Segundo ele, a meta é incorporar referências internacionais e disseminar boas práticas que possam contribuir para elevar o padrão da educação pública brasileira.
