Cosag da Fiesp abre trabalhos de 2026 debatendo geopolítica e desafios do agronegócio

Senadora Tereza Cristina e ex-ministros destacam desafios internos e externos do setor e impacto do acordo Mercosul-União Europeia

Por Da Redação

Reunião do Cosag da Fiesp discute desafios do agronegócio

O Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp iniciou seus trabalhos anuais na segunda-feira (9/2) com debate sobre os efeitos da geopolítica mundial no setor. Presidido pela senadora Tereza Cristina, o Cosag é um dos maiores conselhos temáticos da entidade e reuniu cerca de 100 participantes na abertura.

A senadora, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, comentou o Acordo Mercosul-União Europeia, assinado em janeiro de 2026. Segundo ela, o tratado traz benefícios ao Brasil, embora esteja longe de um modelo de livre comércio. “Não é o acordo dos nossos sonhos, mas é o possível. Ainda estamos distantes de uma pauta de livre comércio, mas já é um começo”, afirmou.

Tereza Cristina destacou que o acordo comercial é provisório, com salvaguardas consideradas desproporcionais e inéditas na história de tratados da União Europeia. Produtos brasileiros, como a carne bovina, já exportam volumes acima do limite de 5% previsto nesses gatilhos, o que aumenta o risco de acionamento imediato. “Governos e setores produtivos terão de lidar, além das questões domésticas, com essa nova realidade da geopolítica mundial”, acrescentou.

Entre os desafios internos apontados para 2026, a senadora citou reforma tributária, juros elevados, alto endividamento do setor e aumento de pedidos de recuperação judicial no agronegócio. Ela reforçou que o Cosag continuará a linha de trabalho do ex-presidente Jacyr Costa, mantendo-se referência da agroindústria nacional.

O ex-ministro Francisco Turra (1998-1999) ressaltou que o agronegócio brasileiro é essencial para abastecimento alimentar e energia limpa, lembrando que a produção de grãos passou de 75 milhões de toneladas há 25 anos para 370 milhões de toneladas atualmente. Turra destacou a liderança do país em fontes hídricas, eólicas e solares, e avaliou o acordo Mercosul-União Europeia como estratégico para ampliar tecnologia e competitividade.

Roberto Rodrigues (2003-2006) apontou desafios internos e externos, como custos de produção, questões fiscais, falta de estratégia de longo prazo, protecionismo internacional e exigências de segurança alimentar.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que os 19 conselhos da entidade devem trazer temas nacionais ao centro do debate institucional.

Na cerimônia, João Guilherme Ometto, fundador da Abag, e Roberto Rodrigues foram nomeados presidentes de honra do Cosag. Rodrigues também recebeu a Ordem do Mérito Industrial São Paulo, no grau Grã-Cruz, honraria concedida a cerca de 50 personalidades, incluindo líderes internacionais.