Pesquisa aponta quase 200 mil médicos em SP e aumento gradual de especialistas
Levantamento revela concentração de especialistas, crescimento de médicas e desafios na distribuição regional e qualificação profissional
O Estado de São Paulo encerrou 2025 com cerca de 200 mil médicos, segundo o levantamento “Demografia Médica do Estado de São Paulo 2026”, recorte estadual da Pesquisa Nacional Demografia Médica. O estudo, coordenado pelo professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, busca mapear a distribuição, a especialização e as tendências da profissão no estado, além de estimar projeções futuras. Conforme a pesquisa, aproximadamente 40% dos médicos atuam como generalistas, sem especialidade formal, enquanto 60%, cerca de 118 mil profissionais, possuem título de especialista. A previsão é de que, até 2035, São Paulo conte com 340 mil médicos.
O levantamento detalha a distribuição regional de profissionais. Nenhuma região do estado apresenta escassez absoluta de médicos, embora haja desigualdade na concentração de especialistas. Regiões historicamente com mais dificuldades assistenciais, como Registro, registram melhora na disponibilidade de profissionais, mas ainda enfrentam disparidades em relação à cobertura em serviços públicos. O estudo destaca também a sobreposição entre o setor público e a rede privada, presente em grande parte do estado, que concentra médicos em locais que nem sempre atendem o Sistema Único de Saúde (SUS).
Scheffer explica que o aumento de especialistas acompanha, mas não supera, a chegada de novos médicos formados. “Entre os especialistas, cerca de 60% a 70% concluíram residência médica; os demais obtêm especialidade por meio de sociedades médicas. Isso evidencia a insuficiência de vagas de residência para absorver o volume crescente de recém-formados”, afirma. De acordo com o estudo, os médicos generalistas atuam frequentemente em atenção primária, pronto-atendimento e plantões, sendo essencial a ampliação de programas de qualificação e residência médica para esse grupo.
A pesquisa também identifica mudanças no perfil de gênero da medicina paulista. Pela primeira vez, em 2025, mulheres representam mais de 50% do total de médicos, consolidando tendência observada entre estudantes e residentes. A projeção indica que, em dez anos, a profissão poderá ser composta por 70% de médicas. Embora numericamente majoritárias em 22 das 55 especialidades, as mulheres ainda apresentam menor remuneração, ocupam menos cargos de liderança na educação médica e em entidades profissionais e continuam subrepresentadas em mais de 30 especialidades.
O estudo ressalta que o crescimento no número de médicos e especialistas não é uniforme, exigindo políticas públicas voltadas à formação especializada, distribuição regional equitativa e integração entre redes pública e privada de saúde. A análise fornece subsídios para gestores e planejadores, oferecendo uma fotografia atualizada da profissão no estado, suas desigualdades e tendências de evolução até 2035.