São Paulo lidera produção e consumo de alface
Produção paulista de alface movimenta quase R$ 1 bilhão e inclui políticas públicas de compra e financiamento
O estado de São Paulo é o maior produtor e consumidor de alface no Brasil. Dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA – APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) indicam que, em 2025, foram cultivadas mais de 220 mil toneladas da hortaliça, com valor estimado em R$ 947 milhões.
As principais regiões produtoras estão localizadas no Cinturão Verde, que abastece a Grande São Paulo. A variedade crespa é a mais cultivada.
O engenheiro agrônomo da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Thiago Costa, informou que o cultivo da alface requer monitoramento constante. “A água deve estar livre de contaminantes, o solo precisa ter nutrientes adequados, análises periódicas e adubação equilibrada, e a insolação deve ser adequada sem excesso de temperatura”, disse.
Segundo Manoel Oliveira, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), a cadeia de folhosas passou por mudanças nos últimos anos, com adoção de técnicas mais modernas, o que pode contribuir para maior produtividade e redução de perdas no fornecimento ao varejo.
Além da produção, São Paulo é o maior comprador de alface oriunda da agricultura familiar. Em 2025, o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS) adquiriu mais de 80 toneladas, totalizando cerca de R$ 800 mil. Os produtos são destinados a escolas, universidades e unidades prisionais, integrando políticas públicas à atividade agrícola.
A Cooperativa dos Produtores Familiares de Piedade (COFARP), com cerca de 50 cooperados, produz alface, pepino, escarola, almeirão, salsa e brócolis. A média de produção de alface é de cerca de 6 mil unidades mensais. O presidente da cooperativa, José Roberto, afirmou que o programa permite planejamento de plantio com base nas demandas do PPAIS.
Em relação à produção hidropônica, São Paulo concentra o maior volume do país. O cultivo utiliza estufas e sistemas verticais, permitindo controle de água, nutrientes e espaço.
O Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), por meio do Projeto Desenvolvimento Rural Sustentável Paulista (DRS), oferece crédito para implantação ou modernização de estufas, irrigação automatizada, fertirrigação e controle ambiental. O financiamento pode chegar a R$ 250 mil para produtores pessoa física, R$ 500 mil para pessoa jurídica e R$ 800 mil para cooperativas, com juros a partir de 3% ao ano e prazo de até 84 meses, incluindo carência de até 12 meses.
Essas medidas buscam apoiar a produção de alface no estado, com foco em produtividade, organização da cadeia e acesso a recursos financeiros, tanto para produtores familiares quanto para iniciativas comerciais maiores.
