Nova fase da 'Carbono Oculto' mira empresa em Paulínia
Mandado foi cumprido durante ação que investiga compra da Terrana
Uma empresa de Paulínia está entre os alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24) para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro na compra da distribuidora de combustíveis Tobras, conhecida como Terrana. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no município.
A ocorrência reforça a presença da investigação na RMC. A ação é conduzida pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ao todo, são 32 mandados contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados. Em São Paulo, foram 26 alvos, distribuídos pela capital, Paulínia, Barueri, Cotia, Guarulhos e São José dos Campos.
A investigação aponta que estruturas financeiras teriam sido usadas para ocultar os verdadeiros beneficiários de uma usina sucroalcooleira e, depois, viabilizar a aquisição da Terrana. Segundo a Receita Federal, uma empresa financeira empregada na operação movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume reforça indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.
Um dos pontos da apuração envolve cerca de R$ 100 milhões que teriam sido enviados a uma usina e circulado por diferentes contas antes de serem incorporados à estrutura usada na compra da distribuidora. A investigação também cita uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios.
Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, ligado à Entre Investimentos e ao Banco Master. A nova fase busca esclarecer a origem dos valores e os mecanismos usados para afastar os recursos dos financiadores da aquisição.
A operação foi autorizada pela 2ª Vara Criminal de Catanduva e também alcançou endereços no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em Paulínia, a empresa alvo fica no bairro Cascata. A Terrana foi procurada para informar se sua unidade ou empresas ligadas ao grupo foram alvo das medidas, mas não havia se manifestado até a publicação. A investigação segue em andamento.