Falhas de manutenção e erros de voo da Voepass

Relatório é do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos

Por Da Redação

Familiares das vítimas do acidente chegando ao Instituto médico legal

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou na quinta-feira (23) o relatório do acidente do voo 2283 da Voepass ocorrido em Vinhedo e que matou 62 pessoas. O documento reúne fatores operacionais e técnicos que levaram à queda do avião em agosto de 2024, além de orientações para a prevenção de novas ocorrências na aviação civil. Os familiares das vítimas acessaram as conclusões antes da divulgação pública. As apurações indicam que a aeronave operava com pendências de manutenção e desvios de procedimentos.

O avião decolou com falha no limpador de para-brisa, condição que impedia voos em locais com previsão de chuva. O sistema de proteção contra gelo apresentou problemas em etapas anteriores sem os devidos registros no diário de bordo por parte das tripulações. Na véspera da ocorrência, em voo entre Guarulhos e Ribeirão Preto, o sistema antigelo exigiu três reinicializações, enquanto o manual da empresa previa apenas uma tentativa. O computador de bordo apontou falhas nos mecanismos pneumáticos das asas responsáveis por remover o gelo. Válvulas de distribuição apresentaram anormalidades durante as análises efetuadas pelos investigadores.

No dia do acidente, voos prévios registraram novos alertas de gelo, redução de velocidade e acionamentos de sistemas de alerta de perda de sustentação. A ausência de anotações técnicas impediu ações corretivas da equipe de solo antes da etapa final.

A investigação analisou mais de mil voos da companhia e constatou a liberação recorrente da aeronave com componentes inoperantes sem solução definitiva, reutilização de peças com histórico de falhas e ausência de verificação do sistema antigelo nas inspeções diárias. A comparação de dados operacionais apontou desempenho inferior ao de outras empresas do setor aéreo.

A atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi citada entre os fatores contribuintes da ocorrência. O órgão regulador informou que analisará o relatório final e as recomendações preventivas em prazo de até 120 dias. A Voepass declarou que aguarda a análise da íntegra do documento para emissão de posicionamento público oficial sobre o caso.