Cenipa divulgará amanhã relatório final do acidente da Voepass
Investigação sobre acidente com 62 mortes será apresentada em Brasília
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresenta nesta quinta-feira (23), às 17h, o relatório final da investigação sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo. O acidente, ocorrido em 9 de agosto de 2024, matou 62 pessoas, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes, e é considerado o mais grave da aviação comercial brasileira nas últimas décadas.
A apresentação será realizada em coletiva de imprensa, em Brasília, conduzida pelo chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Alexandre Avellar Leal, e pelos investigadores responsáveis pela apuração. Após o evento, o relatório será disponibilizado para consulta pública no site do órgão.
A divulgação ocorre após a repercussão de um relatório parcial da investigação, encaminhado para análise técnica de órgãos internacionais e divulgado por veículos de imprensa. Segundo esse documento, o acidente teria sido resultado de um conjunto de fatores envolvendo a atuação da tripulação, procedimentos operacionais da Voepass e ações de fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), o documento foi concluído após a investigação e passou pelas etapas de revisão previstas nos protocolos internacionais. Antes da divulgação, o material foi analisado pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, responsável pelo projeto da aeronave ATR 72-500, e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, ligado ao projeto dos motores.
Ao longo da investigação, os especialistas analisaram os gravadores de voz da cabine (CVR) e de dados de voo (FDR), reconstruíram a trajetória da aeronave e avaliaram os comandos dos pilotos, os alertas emitidos durante o voo e o funcionamento dos sistemas, incluindo os equipamentos de degelo e proteção contra estol.
Também foram examinadas as condições meteorológicas do dia do acidente, documentos técnicos e de manutenção, certificados médicos dos pilotos e registros operacionais da frota da companhia.
A investigação incluiu entrevistas, testes em simuladores e um voo experimental com outra aeronave do mesmo modelo.