Crescimento de loteamentos na região de Campinas acende alerta

Preparação do solo mal executada acaba saindo bem mais caro para corrigir

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Engenheiro na obra: conjunto de intervenções inclui cortes, aterros, nivelamento, compactação do solo, entre outros

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) e os municípios do entorno seguem como um dos principais motores da expansão imobiliária paulista. Dados divulgados pela Associação das Empresas de Loteamento Urbano (AELO) e pelo Secovi-SP, com base em um levantamento da Brain Inteligência Estratégica, mostram que a região administrativa de Campinas respondeu pelo maior volume de novos loteamentos lançados no Estado no 1º trimestre de 2026.

Entre janeiro e março, foram colocados no mercado 2.765 lotes distribuídos em 11 empreendimentos, número que representa cerca de 38% de todos os lançamentos registrados nas 81 cidades paulistas analisadas. Nenhuma outra região administrativa apresentou desempenho semelhante no período.

Esse desempenho companha uma tendência identificada pelo setor imobiliário. Pesquisa realizada pela Brain e apresentada pelo Secovi-SP indica que quase 50% dos brasileiros têm interesse na aquisição de um imóvel, sendo que uma parcela significativa pretende concretizar isso nos próximos 12 meses.

Por trás desse crescimentos, entretanto, especialistas alertam para uma etapa pouco lembrada pelos futuros compradores, mas considerada decisiva para a qualidade e a durabilidade dos empreendimentos: a preparação do terreno.

Antes da construção das ruas, redes de água, esgoto e drenagem, é necessário executar um conjunto de intervenções que inclui cortes, aterros, nivelamento, compactação do solo e adequação das cotas do terreno.

Esses serviços são fundamentais para garantir a estabilidade das edificações e o correto funcionamento da infraestrutura urbana ao longo dos anos. Uma terraplanagem executada de forma inadequada pode provocar problemas como recalques do solo, fissuras em construções, rompimento de tubulações, deformações no pavimento e processos erosivos, comprometendo tanto a segurança quanto os custos futuros de manutenção.

Estudos indicam que corrigir falhas após a conclusão das obras representa um custo muito superior ao de investir em planejamento desde o início. Levantamento da Universidade de Brasília (UnB) aponta que o retrabalho pode elevar significativamente o orçamento das construções, especialmente quando os problemas atingem fundações ou redes subterrâneas, exigindo intervenções complexas e de alto custo.

Com a região de Campinas consolidando sua posição como principal polo de expansão dos loteamentos paulistas, especialistas defendem que o crescimento imobiliário seja acompanhado por investimentos proporcionais em infraestrutura urbana, drenagem e planejamento técnico. A avaliação é a de que a sustentabilidade dos novos bairros dependerá mais da qualidade da execução das obras do que da velocidade da entrega do empreendimento.