Projeto revela ancestralidade de moradores de Hortolândia

Cidade recebe mapeamento genético pelo quarto ano seguido

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A partir do dia 23, iniciativa entrega o relatório a 498 participantes de Hortolândia

Quase 500 moradores de Hortolândia estão prestes a conhecer suas origens ancestrais. O projeto gen-t, iniciativa científica conduzida por pesquisadores brasileiros, retorna ao município a partir do dia 23 deste mês para entregar o Relatório de Ancestralidade Genética a 498 participantes que completaram três anos consecutivos na pesquisa. O atendimento acontece na UBS Amanda I, com suporte da Prefeitura, e a equipe deve permanecer na unidade por cerca de 30 dias.

O que revela o relatório

O documento entregue aos participantes indica de quais regiões do mundo vieram seus antepassados, com base na análise do DNA coletado ao longo do projeto.

Segundo a geneticista Lygia da Veiga Pereira, fundadora da startup gen-t e responsável pela iniciativa, o relatório apresenta a chamada ancestralidade continental, que aponta as proporções genéticas herdadas de diferentes populações ao longo da história. Cada relatório é individual e sigiloso, acessível somente ao próprio participante.

Com o crescimento da base de dados, versões futuras do documento poderão trazer informações mais detalhadas, indicando regiões geográficas específicas dentro de cada continente.

A participação no projeto vai além do conhecimento sobre as origens. Os voluntários têm acesso gratuito a check-ups anuais com exames laboratoriais — como hemograma, glicemia e colesterol — além de relatórios de saúde que incluem avaliação de risco cardiovascular, elaborados com base nos exames e em um questionário respondido pelos participantes.

Ingresso

Para ingressar como voluntário, é preciso ter ao menos 18 anos, fazer inscrição pelo portal da prefeitura, agendar a coleta pelo site oficial do projeto, responder ao questionário de saúde e comparecer ao local no horário marcado com jejum de 8 a 12 horas. A coleta é feita por amostra de sangue, por equipe treinada que segue os protocolos da Lei Geral de Proteção de Dados e as normas éticas da pesquisa científica brasileira.

Sobre o projeto

Lançado em 2023, o gen-t tem como meta mapear o DNA de 200 mil brasileiros e construir o maior banco genético da América Latina.

Hortolândia foi a quarta cidade a receber o projeto, e hoje conta com 4.100 moradores cadastrados como voluntários. O acompanhamento de cada participante está previsto para durar cinco anos.

Um dos objetivos centrais da iniciativa é corrigir uma lacuna histórica na ciência: a sub-representação de populações negras e indígenas nas pesquisas genéticas. Com os dados reunidos, a expectativa é desenvolver remédios e tratamentos mais eficientes para os diferentes perfis genéticos que compõem a população brasileira, tornando os avanços da medicina de precisão acessíveis a um número maior de pessoas.

Após a UBS Amanda I, a equipe seguirá para os bairros Jardim Rosolém, Jardim Santa Clara do Lago, Vila Real e Jardim Nova Europa.