Empresa de Paulínia é alvo da operação 'Fluxo Oculto'

Receita Federal e MP apuram infiltração de facção no setor

Por Da Redação

Foram cumpridos mandados na Tercom Terminal

A Receita Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) realizaram nesta quinta-feira uma operação em uma empresa de armazenagem de combustíveis situada no bairro Cascata, em Paulínia. A ação integra a segunda etapa da operação Fluxo Oculto, criada para apurar a infiltração da facção Primeiro Comando da Capital no mercado de combustíveis.

Os agentes públicos cumpriram um mandado de busca e apreensão na Tercom Terminal Armazenagem Combustíveis, apontada pelas investigações como um entreposto em um esquema fraudulento de emissão de notas fiscais. O propósito da ação é mostrar que a organização criminosa persistiu com a lavagem de dinheiro, sonegação tributária e adulteração de produtos mesmo após outra operação ocorrida em agosto de 2025.

Órgãos reguladores

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) forneceu cinco equipes para prestar suporte no cumprimento dos mandados em dois terminais de estocagem, dois fabricantes de solventes e uma indústria química sob suspeita de desviar insumos. Os servidores ANP avaliaram os documentos das companhias, verificaram o potencial de estocagem e fabricação e recolheram amostras laboratoriais. Essas averiguações aconteceram nas cidades de Arujá, Itupeva, Paulínia, Rafard e Votorantim.

Abrangência e alvos

O MP detalhou que a ação engloba 59 mandados de busca e apreensão cumpridos nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. As buscas focaram em empresários, operadores da área logística e intermediários que mantiveram as atividades ilegais após as ações policiais anteriores.

O trabalho conjunto reuniu o Gaeco, a Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, além das Polícias Civil e Militar.

Vínculos com a facção

Segundo as informações, a facção figura nos relatórios oficiais como beneficiária indireta dos fluxos de capitais, dividindo o mesmo ambiente financeiro ilícito e recorrendo a fintechs semelhantes para ocultar e movimentar recursos. O MP define essa cooperação de infraestrutura entre organizações distintas como convergência criminal.

O esquema criminoso manteve as atividades modificando cadastros societários e dados empresariais para esconder o patrimônio oriundo das fraudes e da sonegação fiscal.