Instituição enfrenta dívida de R$ 6 milhões e pede apoio
APAE de Santa Bárbara atende 600 pessoas e está em crise
Representantes da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Santa Bárbara d'Oeste se reuniram, terça-feira (24) da semana passada, com vereadores na sala da presidência da Câmara Municipal para discutir a grave situação financeira enfrentada pela instituição. A entidade apresentou um cenário considerado crítico, com um passivo estimado em aproximadamente R$ 6 milhões, além de dívidas trabalhistas que giram em torno de R$ 500 mil
Durante o encontro, a direção solicitou apoio emergencial e pediu o comprometimento dos parlamentares com a destinação de R$ 50 mil por meio de emendas impositivas individuais, como estratégia imediata para manter os atendimentos.
A APAE é uma instituição sem fins lucrativos dedicada ao atendimento completo e gratuito de pessoas com deficiência intelectual e múltipla.
Motivo da crise
Segundo os representantes, a situação é resultado de anos operando com recursos abaixo da demanda necessária, o que compromete o equilíbrio entre receitas e despesas.
A APAE relatou ainda dificuldades para cumprir obrigações correntes, incluindo atrasos pontuais em pagamentos, o que tem impactado diretamente a estabilidade administrativa e operacional da instituição. O quadro financeiro delicado também acende um alerta para a continuidade dos serviços oferecidos gratuitamente.
Atualmente, cerca de 600 pessoas com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista são atendidas pela instituição, que é considerada referência regional. A possível interrupção dos serviços preocupa não apenas os usuários, mas também suas famílias, muitas em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com a direção, o agravamento da crise já afeta o funcionamento de alguns espaços e limita a capacidade de atendimento. Além disso, há uma fila crescente de pessoas aguardando diagnóstico e acompanhamento, especialmente em áreas especializadas, o que amplia a pressão sobre a estrutura existente.
Plano emergencial
Para enfrentar o cenário, a APAE estruturou um plano de recuperação que inclui reorganização administrativa, ajustes financeiros e intervenções na estrutura física. No entanto, a direção reforça que a implementação das medidas depende diretamente de apoio público imediato.
A entidade também destaca que o prédio apresenta desgaste e necessita de reparos urgentes, fator que impede a ampliação dos atendimentos. Paralelamente, a gestão avalia alternativas para captação de recursos e busca soluções para reequilibrar as finanças.
Em ofício entregue aos vereadores, a instituição alertou que a suspensão das atividades pode gerar impactos sociais significativos no município, reforçando a necessidade de uma resposta rápida do poder público.
A Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste informou que acompanha a situação de perto, mantém diálogo com a APAE e estuda possibilidades de apoio dentro das limitações orçamentárias.