RMC é referência nacional para iniciativa de resiliência

Programa estimula movimentos para previnir desastres climáticos

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Inciativa fortalece a cooperação regional e amplia ações de adaptação a desastres

A atuação do Centro de Resiliência a Desastres de Campinas (CRDC) vem projetando a Região Metropolitana de Campinas como a principal referência brasileira na formação de municípios dentro da iniciativa global "Construindo Cidades Resilientes 2030" (MCR2030). Inspirado na experiência campineira, o movimento fortalece políticas públicas voltadas à redução de riscos e à adaptação às mudanças climáticas.

Região conectada

Coordenado pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNDRR), o programa estimula parcerias, troca de conhecimento e cooperação técnica entre cidades. O Brasil ocupa posição de destaque no cenário internacional, com 404 municípios participantes, o maior número do mundo entre as 1.906 cidades inscritas. Na Região Metropolitana de Campinas, os 20 municípios aderiram à iniciativa, enquanto o estado de São Paulo concentra cerca de 55% dos participantes nacionais.

Segundo Sidnei Furtado, coordenador regional e diretor da Defesa Civil, o CRDC atua além dos limites municipais. A proposta é criar uma rede de colaboração. "Os desastres não respeitam fronteiras. Cada cidade capacitada amplia a proteção de todo o sistema", afirma.

A experiência campineira também vem sendo replicada em outras regiões do país, como Mato Grosso, Rio Grande do Norte, e Minas Gerais. Entre as principais ferramentas utilizadas está o Scorecard de Resiliência, método de autoavaliação que ajuda gestores a diagnosticar fragilidades, aprimorar políticas públicas e direcionar investimentos.

Na Região Metropolitana de Campinas, o CRDC coordena a aplicação do Scorecard Metropolitano, iniciativa que amplia a capacidade de resposta regional a eventos extremos de forma articulada. O modelo oferece um percurso estruturado, da sensibilização à execução de ações práticas, além de conectar os municípios a uma rede global de especialistas.

Aplicação intersetorial

Em Campinas, a ferramenta já foi aplicada em áreas como saúde, sistemas alimentares e inclusão de pessoas com deficiência. Entre os resultados estão ações de "saúde única", materiais acessíveis para situações de emergência e a ampliação de serviços em Libras. Ao todo, foram mapeados 92 projetos, sendo 62 em andamento e 30 concluídos.

Reconhecido em 2022 como o primeiro hub de resiliência do país, o CRDC acumula avanços como a redução de áreas de risco, integração entre órgãos municipais, realização de simulados, capacitação comunitária e uso de tecnologias para monitoramento climático.

Para o UNDRR, a experiência brasileira, liderada por Campinas e região, contribui para o fortalecimento das políticas nacionais de adaptação e resiliência urbana. De acordo com Luis Burón-Barahona, a cidade atua como mentora, disseminando conhecimento e apoiando outros municípios, o que torna o instrumento eficaz em escala local, estadual e nacional.