Gaeco investiga suspeita de fraude de R$ 5,2 bilhões em Bauru
Operação cumpriu 20 mandados e efetivou sete prisões temporárias
O Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na quarta-feira (9/9) a Operação Cavalo de Troia para investigar suspeitas de fraude na concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos de Bauru. O contrato prevê duração de 30 anos e valor estimado em R$ 5,259 bilhões, em valores de fevereiro de 2026. Segundo o Gaeco, é a maior contratação pública já projetada na história do município.
A operação cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária, além de determinar o afastamento de servidores, sequestro de bens e suspensão judicial de contratos e da licitação. Entre os principais alvos está a secretária municipal de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal, Cilene Chabuh Bordezan, que já ocupou cargos na administração de Sorocaba. A residência dela naquela cidade também foi alvo de diligência.
Também é investigado o secretário de Negócios Jurídicos, Vitor João de Freitas Costa. A secretária-adjunta de Meio Ambiente, Sara Moura de Jesus, e o coordenador de Políticas Públicas para o Meio Ambiente, Roldão Neto, estão entre os servidores alcançados pela operação.
Segundo o Gaeco, a investigação identificou indícios de que uma servidora com vínculos profissionais e econômicos com a empresa que seria beneficiada pela concessão teria ocupado posição estratégica na administração municipal. A suspeita é de que interesses privados tenham influenciado a elaboração e a condução do processo de contratação.
O Ministério Público aponta possível interferência em diferentes etapas da concessão, incluindo estudos técnicos, exigências de habilitação e critérios de pontuação. A investigação também apura suspeitas de pagamentos e vantagens destinados a reduzir a competição e favorecer a empresa sob suspeita.
Entre os possíveis crimes investigados estão fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.
A Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação do MP e que irá colaborar com as investigações, que continua em andamento.