Ex-secretário de saúde de Rio Preto vira alvo de ação

Prefeitura pede condenação de Bottas e devolução de R$ 3,8 mi

Por Por Raphaela Cordeiro

Convênio foi assinado por Rubem Bottas em abril deste ano

Menos de duas horas após oficializar sua saída da Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto, o médico Rubem Bottas passou a enfrentar um novo desdobramento da crise envolvendo o convênio firmado entre a Prefeitura e a Santa Casa de Casa Branca. Na segunda-feira (15), a Procuradoria-Geral do Município protocolou uma ação civil por improbidade administrativa contra o ex-secretário, a assessora da pasta Cícera Nayara Miranda Paiva, a entidade hospitalar e seus representantes legais.

A ação marca uma nova etapa do caso que levou à anulação do contrato de R$ 11,9 milhões destinado à realização de um mutirão de exames por meio de carretas de atendimento. Além de questionar a legalidade da contratação, realizada sem chamamento público ou licitação, o município busca o ressarcimento de R$ 3,8 milhões que ainda não foram devolvidos aos cofres públicos.

A Procuradoria pede a condenação dos envolvidos por improbidade administrativa, com aplicação de multa, suspensão dos direitos políticos e perda de eventual função pública. O valor do dano apontado corresponde aos recursos antecipados à Santa Casa e que permanecem pendentes de restituição.

O convênio foi assinado por Bottas em abril deste ano com a justificativa de reduzir filas para exames de imagem. O município chegou a repassar antecipadamente R$ 4,7 milhões à instituição. Após a anulação do contrato, R$ 950 mil foram devolvidos. O restante passou a ser discutido judicialmente, após a Santa Casa apresentar proposta de parcelamento.

A contratação é alvo de investigações simultâneas. Além da ação judicial movida pela Prefeitura, o caso está sendo apurado por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, pelo Ministério Público e por uma sindicância interna aberta pelo Executivo.

Entre os questionamentos levantados estão a ausência de processo licitatório, a justificativa de emergência para a contratação, a capacidade operacional da entidade para executar os serviços previstos e a rapidez com que o convênio foi aprovado e formalizado.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bottas afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com a família e acolhida pelo prefeito Cel. Fábio Candido. O médico disse que retornará integralmente à carreira de cirurgião plástico. Embora tenha classificado a saída como uma decisão pessoal, a exoneração ocorre no momento em que aumentam as pressões políticas e jurídicas sobre o convênio.