Obesidade infantil tem 40% de faltas em consultas

Das 152 consultas marcadas, 62 registraram ausênsia em Ribeirão

Por Da Redação

No Dia Nacional de Combate à Obesidade Infantil, celebrado nesta quarta-feira (3), a Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto acende um sinal de alerta: entre janeiro e maio deste ano, 40% das consultas agendadas no Núcleo de Obesidade Infantil (NOBIN) não foram cumpridas. Das 152 consultas marcadas no período, 62 registraram ausência dos pacientes.

Os números são ainda mais preocupantes quando se considera que os encaminhados ao serviço já passaram por acompanhamento em unidades básicas de saúde, com orientações nutricionais e estímulo à atividade física. O acesso ao núcleo especializado ocorre somente quando o quadro persiste por ao menos seis meses, exigindo avaliação multiprofissional.

"Quando uma consulta é perdida, perde-se também uma oportunidade importante de intervenção precoce. A obesidade infantil exige cuidado contínuo, e o comprometimento das famílias é essencial nesse processo", afirma o secretário municipal da Saúde, Mauricio Godinho.

Números preocupam

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) revelam a dimensão do problema em Ribeirão Preto. Entre crianças de 5 a 9 anos avaliadas em 2025, 2.301 apresentam sobrepeso e 2.134 estão com obesidade. Na faixa de 10 a 19 anos, são 3.681 adolescentes com sobrepeso e 3.276 com obesidade.

A nutróloga do NOBIN, Valéria Moro, reforça a gravidade do quadro: "A obesidade é uma doença grave, crônica e multifatorial. A grande preocupação é que crianças e adolescentes com sobrepeso têm maior chance de se tornarem adultos obesos e desenvolverem doenças como diabetes, gordura no fígado, hipertensão arterial, problemas ortopédicos e até alguns tipos de câncer."

Cuidados

Criado pela Prefeitura de Ribeirão Preto no final de 2025, o NOBIN reúne nutróloga, nutricionista, psicólogo e educador físico. O núcleo foi implantado junto a um protocolo municipal inédito, que define critérios de encaminhamento, avaliação clínica, estratificação de risco e condução dos casos pela Atenção Primária à Saúde.

Além do acompanhamento clínico, o serviço desenvolve ações de educação alimentar e orientações voltadas a toda a família. "O tratamento da obesidade infantil envolve mudanças no estilo de vida de toda a família. Por isso, nossa proposta é oferecer um cuidado multidisciplinar, acolhendo a criança e seu contexto familiar", destaca Valéria.