Suspensão do IPTU derruba a arrecadação de Piracicaba
Município arrecadou R$ 15,7 mi contra previsão de R$ 120,2 mi
Os primeiros meses de 2026 causou rombo significativo nas finanças de Piracicaba. Os dados foram apresentados pela Secretaria de Finanças em audiência pública na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (27). Nos quatro primeiros meses do ano, o município arrecadou apenas R$ 15,7 milhões do imposto, ante previsão de R$ 120,2 milhões — queda de 86,9%.
A disputa jurídica envolveu questionamentos do MP-SP ao novo Código Tributário, aprovado com suposta falta de transparência e sem estudos de impacto. O caso chegou ao STF, que decidiu em favor da prefeitura. Desde segunda-feira (25), a cobrança foi retomada, e os munícipes têm até sexta (29) para pagar a primeira parcela ou a cota única do IPTU 2026.
Receitas abaixo
Além do IPTU, taxas de limpeza e poder de polícia recuaram 87,7%, tarifas de água e esgoto caíram 16,2% e as transferências federais e estaduais para saúde e educação ficaram 20,8% e 25,5% menores, respectivamente.
As receitas de capital somaram R$ 9,2 milhões, frente a previsão de R$ 62,1 milhões — recuo de 85,2%. A receita total chegou a R$ 1,13 bilhão, 6% abaixo da média esperada para o quadrimestre, segundo o economista Clayton Maschietto.
Josef Borges, presidente da Comissão de Finanças, destacou o papel da audiência: "Podemos informar com transparência sobre o que foi arrecadado, o que foi liquidado, se sobrou, se faltou, hoje a gente vai discutir tudo isso." Na educação, 30,46% da receita de impostos foi empenhada, acima do mínimo constitucional de 25%. Na saúde, os gastos devem chegar a 31,45%, superando o piso de 15%.
Tributos em destaque
Nem tudo foi negativo. O ICMS cresceu 7,4% e somou R$ 209,4 milhões; o ISSQN subiu 1,25%, totalizando R$ 131,3 milhões; e o ITBI teve alta de 32,3%, chegando a R$ 42,3 milhões. O vereador Rafael Boer questionou o salto do ITBI.Karla Pelizzaro respondeu que o crescimento decorreu de uma movimentação antecipada do mercado imobiliário antes da entrada em vigor do novo Código Tributário.
As contas do Semae também foram debatidas. A arrecadação da autarquia ficou 16,2% abaixo da previsão, principalmente pela não utilização de operações de crédito previstas no orçamento. O representante Emerson Navarro afirmou que as despesas também recuaram no mesmo ritmo: "Tendo recursos, estamos investindo; não tendo, estamos buscando executar de outras maneiras."