Em Cunha, Governo anuncia PSA Araucária para conservar espécie

Região do Vale do Paraíba concentra mais de 95% da produção de pinhão no estado

Por

Foco é integrar a proteção ambiental e a geração de renda pela cadeia produtiva do pinhão

O Governo do Estado de São Paulo lançou o edital do Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária), uma iniciativa destinada à conservação do pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia), espécie ameaçada de extinção. O programa prevê o repasse de até R$ 36 mil para produtores rurais individuais e até R$ 250 mil para organizações da sociedade civil que atuem na preservação e restauração da espécie. O anúncio ocorreu em Cunha, no Vale do Paraíba, região que concentra mais de 95% da produção de pinhão no estado.

Gerido pela Fundação Florestal, o edital busca mitigar os riscos de perda de habitat da araucária, previstos para ocorrer até 2070 devido às mudanças climáticas e à extração ilegal. O foco é a integração entre a proteção ambiental e a geração de renda por meio da cadeia produtiva do pinhão.

Bioeconomia

O PSA Araucária incentiva a bioeconomia ao remunerar produtores que se comprometem com o plantio de mudas, a conservação de árvores remanescentes, a restauração de Áreas de Preservação Permanente (APP) e a implantação de pomares. Diferente do corte da madeira, que possui restrições severas, a coleta do pinhão é estimulada como uso sustentável da floresta.

Em Cunha, a atividade é tradicional e econômica. Segundo as informações, entre 2023 e 2025, produtores locais coletaram mais de 1.100 toneladas de sementes, com uma estimativa de colheita superior a 368 toneladas para o ano de 2026. O programa visa profissionalizar essa cadeia, combatendo a escassez de mão de obra e o envelhecimento das árvores existentes através do estímulo a novos plantios e técnicas de manejo.

Território

O projeto-piloto será estabelecido na Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Cunha. A escolha do território justifica-se pela densidade da espécie na região e pela viabilidade logística e operacional para o fortalecimento da cadeia socioprodutiva.

A iniciativa está inserida no programa Pró-Araucária, estruturado em 2025 pela Fundação Florestal. Este programa baseia-se em seis eixos: restauração ecológica, fortalecimento da cadeia produtiva, capacitação técnica para manejo sustentável, certificação e rastreabilidade de produtos, valorização do conhecimento tradicional e incentivo à pesquisa e educação ambiental.

Participação

Para acessar os recursos, os produtores rurais devem apresentar documentação que inclui o Cadastro Ambiental Rural (CAR), comprovante de vínculo com o imóvel, conta no Banco do Brasil e inscrição na Agricultura Familiar (CAF), se houver. As organizações devem comprovar existência jurídica e atuação direta no setor.

O programa também aproveita a flexibilização normativa de 2023, que permitiu a São Paulo ser o primeiro estado a autorizar a coleta de pinhão antes de 15 de abril, data que historicamente restringia o início da safra. Tal medida visa aumentar a competitividade do produtor paulista e garantir o aproveitamento total das sementes.

Liderança

De acordo com as informações, com o lançamento do PSA Araucária, o estado de São Paulo consolida sua posição como líder nacional em programas de Pagamento por Serviços Ambientais. Atualmente, o governo paulista gerencia 61 grupos de PSAs, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias. Entre os programas ativos estão o PSA Mar Sem Lixo, focado na retirada de resíduos marinhos por pescadores; o PSA Juçara, voltado à preservação da palmeira-juçara; o PSA Guardiões das Florestas e o PSA Refloresta, que visam o aumento da cobertura vegetal no território estadual.

O PSA Araucária soma-se a esse portfólio como uma ferramenta de política pública que transforma a conservação da biodiversidade em um ativo econômico viável para comunidades rurais, garantindo a permanência da espécie na Mata Atlântica e a sustentabilidade financeira das regiões produtoras.