Tratamento de saúde em casa economiza R$ 121 milhões
Programa alia gestão financeira com cuidados humanizados
A transição do leito hospitalar para o ambiente doméstico tem se mostrado uma alternativa viável para desafogar o sistema de saúde em São José dos Campos. O Programa de Hospitalização Domiciliar (PHD), operado no Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, atua na interface entre a necessidade de liberar vagas e a busca por um tratamento menos invasivo ao cotidiano do paciente. A iniciativa foca em transferir para o domicílio pessoas com quadro clínico estável, mas que ainda demandam cuidados profissionais.
Viabilidade econômica
Os números levantados entre 2020 e 2025 revelam o peso financeiro dessa modalidade. No último ano, o custo diário de um paciente no regime domiciliar foi de R$ 149,82, valor consideravelmente inferior aos R$ 1.141,80 despendidos em uma internação convencional nas dependências da unidade. No acumulado de cinco anos, a desospitalização de mais de 14 mil pessoas gerou uma economia superior a R$ 121 milhões.
Para o diretor técnico do hospital, Dr. Carlos Alberto Maganha, o modelo reflete uma adaptação necessária na administração da saúde. "O Programa de Hospitalização Domiciliar alia qualidade assistencial, humanização do cuidado e responsabilidade na gestão dos recursos. Ele gera economia não apenas para o hospital, mas também para o erário público, já que a unidade é mantida com recursos do município, mesmo contando com um modelo de gestão privada.", explica o médico.
Estrutura operacional
A equipe, formada por médicos, fisioterapeuta e profissionais de enfermagem, realizou mais de 3 mil atendimentos diretos em 2025. A logística envolveu o deslocamento de 137 mil quilômetros para cobrir os tratamentos em domicílio. O crescimento de 147% no volume de pacientes atendidos desde 2020 indica que o sistema de saúde local está absorvendo a prática como padrão para casos de média complexidade.
Além da questão orçamentária, o aspecto emocional do tratamento é destacado pela supervisora de enfermagem, Andréa de Fátima Cornelio Mota. Segundo ela, o impacto vai além dos indicadores técnicos: "O PHD não é apenas um programa para desospitalização. Contribui diretamente com sustentabilidade financeira e também com a melhora da experiência do paciente, que em meio a um momento difícil tem a oportunidade de terminar o tratamento no conforto da sua casa recebendo o carinho da família, e isso é muito gratificante". A prática reduz a exposição a riscos hospitalares, como infecções, e permite que o hospital concentre seus recursos físicos em casos críticos e cirurgias complexas.
