'Janeiro Roxo' reforça os alertas sobre a hanseníase em Piracicaba

Secretaria de Saúde aponta que a taxa de diagnósticos tardios chega a 95% dos casos

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A OMS classifica o Brasil como um dos países prioritários no enfrentamento da hanseníase

Janeiro marca o período de mobilização voltado à prevenção da hanseníase, uma das enfermidades mais antigas conhecidas pela humanidade.

Apesar dos avanços no diagnóstico, no tratamento e na possibilidade de cura, a doença segue sendo negligenciada. Em Piracicaba, cerca de 95% dos casos atendidos pela rede municipal de Saúde ainda são identificados tardiamente, quando a enfermidade já se encontra em estágio avançado.

Esse diagnóstico tardio aumenta o risco de complicações. Quando não tratada de forma adequada e no tempo correto, a hanseníase pode provocar incapacidades físicas permanentes e deformidades, principalmente em mãos, pés e olhos. Essas sequelas interferem diretamente em tarefas simples do cotidiano, como segurar objetos, escovar os dentes ou pentear o cabelo, comprometendo a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes.

Nos últimos cinco anos, o município de Piracicaba registrou 77 casos confirmados da doença. Embora o número possa parecer baixo, ele evidencia a necessidade de ampliar a informação e a conscientização da população.

A Secretaria Municipal de Saúde alerta que mais de 95% dos pacientes foram diagnosticados em fases avançadas e que 60% já apresentavam algum grau de incapacidade no momento da confirmação da doença.

Doença negligenciada

A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, conhecido como bacilo de Hansen. A infecção atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, provocando manchas, alterações de sensibilidade e espessamento dos nervos.

Segundo as informações, mesmo com os avanços científicos, a doença ainda é considerada um problema de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Brasil como país prioritário no enfrentamento da hanseníase, ocupando a segunda posição mundial em número de novos casos, atrás apenas da Índia.

Conscientização

Durante o Janeiro Roxo, mês dedicado à conscientização e ao combate da hanseníase, as 75 Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Piracicaba iniciam ações de busca ativa de casos suspeitos e atividades educativas junto à comunidade.

Pessoas que apresentem manchas na pele com perda de sensibilidade, dormência ou formigamentos devem procurar a unidade de saúde mais próxima.

O Dia Mundial da Hanseníase será celebrado em 25 de janeiro. A Secretaria reforça que a doença tem cura e que todo o tratamento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diagnóstico

Os diagnósticos de hanseníase no município cresceram ao longo dos últimos anos. Em 2020, foram registrados oito casos, número que chegou a 24 em 2024, representando um aumento de até 200%. Em 2021, houve dez confirmações; em 2022, nove; e, em 2025, 12 pacientes foram atendidos pela rede municipal. O diagnóstico é clínico, feito por meio de exame geral e dermatoneurológico, que avalia lesões na pele e alterações de sensibilidade e dos nervos. A suspeita ocorre nas UBS, com encaminhamento ao Centro Especializado em Doenças Infectocontagiosas (Cedic) para confirmação.

Prevenção e tratamento

A transmissão ocorre pelas vias aéreas superiores, por meio do contato próximo e prolongado com pessoas infectadas que não estejam em tratamento.

A prevenção inclui a vacinação com BCG, a avaliação de contatos, além do diagnóstico e tratamento precoces.

O SUS oferece acompanhamento nas UBS e nas unidades de referência. Quando necessário, o paciente é encaminhado ao Cedic, onde recebe atendimento de uma equipe multiprofissional. O tratamento utiliza a Poliquimioterapia Única (PQT-U), com três medicamentos, disponível gratuitamente para adultos e crianças. Logo no início do tratamento, a transmissão da doença é interrompida.