Manga: CPI instaurada e cunhada foragida da Justiça

Operação Copia e Cola envolve família do prefeito de Sorocaba

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Câmara cria CPI para investigar Manga enquanto cunhada segue foragida

Cinco dias após o afastamento judicial do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), a Câmara de Sorocaba decidiu instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de corrupção na Secretaria de Saúde do município. A criação da CPI ocorreu após a oposição conseguir três novas assinaturas de apoio, atingindo dez.

Os vereadores Henri Arida (MDB), Ítalo Moreira (União Brasil) e Jussara Fernandes (Republicanos) assinaram o pedido na noite desta terça-feira (11), contrariando a orientação dos seus partidos, que haviam divulgado nota conjunta horas antes afirmando que não apoiariam a CPI. A decisão dos três parlamentares foi decisiva para que a proposta, apresentada pelas bancadas do PT, PSOL e PL, saísse do papel.

A CPI vai apurar suspeitas de irregularidades na gestão municipal da Saúde, epicentro das investigações que levaram ao afastamento de Manga pela Justiça Federal.

Copia e Cola

Enquanto o cenário político de Sorocaba se intensifica, novas informações sobre a Operação Copia e Cola indicam que a cunhada do prefeito afastado, Simone Rodrigues Frate de Souza, está foragida da Justiça.

Ela deveria ter sido presa na última quinta-feira (6), durante a segunda fase da operação, mas não foi localizada pelos agentes.

Na mesma ação, foram presos o marido de Simone, o pastor Josivaldo Batista de Souza, e o empresário Marco Silva Mott, amigo de infância de Manga.

O mandado de prisão contra Simone, até então sob sigilo judicial, veio a público nesta terça-feira (11), após divulgação feita pelo jornalista Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles.

De acordo com a Polícia Federal, Rodrigo Manga comandava um esquema de corrupção que envolvia o uso da igreja dos cunhados e de uma empresa de publicidade pertencente à primeira-dama para lavar dinheiro de propina. Simone seria uma das operadoras financeiras do prefeito.

Desde primeira fase

Durante a primeira fase da operação, em abril, a PF encontrou R$ 903 mil em espécie na residência de Simone. Segundo o inquérito, ela era responsável por pagar "inúmeras contas pessoais" de Manga e da primeira-dama Sirlange, "muito provavelmente com recursos de origem ilícita" desviados da Secretaria de Saúde.

Mensagens e boletos apreendidos no celular de Simone reforçam essa suspeita. Entre os pagamentos identificados estão mensalidades do Ipanema Clube, da faculdade da filha do prefeito, do condomínio residencial da família e o custeio de três cavalos de um haras pertencente ao próprio Manga.

Encaminhamento

De acordo com as informações divulgadas, a Câmara deve definir nos próximos dias os integrantes da comissão, enquanto a Justiça Federal segue analisando novas provas relacionadas ao suposto esquema de corrupção na administração municipal.