Livro de Charles Spencer reacende debate sobre Diana e a família real
A obra reúne memórias do irmão da princesa e traz críticas à forma como certos episódios foram conduzidos pelo Palácio de Buckingham
Longe de ser apenas fofoca, o livro "Canto do Cisne: Diana, a minha irmã" (tradução do título original: 'Swan Song: Diana, My Sister'), lançado mundialmente ontem, resgata as memórias da ex-princesa de Gales (1961-1997) sob a perspectiva de seu irmão. No Brasil, o livro foi publicado pela editora Objetiva (Companhia das Letras).
Dominando as manchetes há dias, a publicação traz o autor e nonagésimo conde Spencer, Charles Spencer, acertando contas com a família real britânica — em particular com o rei Charles III — quase 30 anos após a morte da princesa.
Uma versão íntima dos últimos anos de Diana
Ex-jornalista e autor de livros sobre a história de Althorp (propriedade da família onde Diana está sepultada), Spencer considerou ser seu dever de testemunha escrever a obra. O objetivo, segundo ele, também é corrigir "falsidades que se enraizaram ao longo do tempo". Perseguida por uma imprensa brutal enquanto seu casamento desmoronava, Diana enfrentou uma solidão avassaladora. Seu irmão, no entanto, afirma que estava sempre pronto para ajudá-la... até a trágica noite de agosto de 1997.
Polêmica sobre William e Harry no funeral
No livro, Spencer relata que discutiu com o então príncipe Charles sobre a decisão de fazer os príncipes William (então com 15 anos) e Harry (com 12) caminharem atrás do caixão da mãe no cortejo fúnebre. O conde considerava traumático expor os meninos aos holofotes.
Ele acredita que os sobrinhos foram usados como um "escudo de proteção" para Charles. Segundo o autor, autoridades do Palácio de Buckingham temiam que o público gritasse ofensas contra o hoje monarca, enquanto a presença das crianças garantiria o respeito da multidão. Detalhes ainda mais polêmicos sobre o rei foram omitidos para evitar que a obra ganhasse um tom sensacionalista.
Críticas à monarquia e impacto do lançamento
O conde diz ainda que alguns detalhes mais delicados sobre o rei foram deixados de fora para evitar que o livro tivesse tom sensacionalista. Ainda assim, a publicação já provoca repercussão por retomar feridas antigas e expor tensões internas da monarquia britânica.
Ao reunir memórias pessoais e episódios controversos, a obra recoloca Diana no centro do debate público e reacende a discussão sobre a forma como a família real lidou com um dos capítulos mais marcantes de sua história recente.