Entre a Folia Popular e a Elite
No século XIX, o Carnaval de Campinas era marcado por um profundo abismo social.
No século XIX, o Carnaval de Campinas era marcado por um profundo abismo social. Enquanto as ruas eram tomadas pelo caos festivo do entrudo (o Carnaval no Brasil começou em 1723, quando portugueses chegaram das ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde e a principal piada consistia em jogar água uns nos outros) e os salões do Teatro São Carlos abrigavam a celebração oficial da elite — um evento restrito onde o acesso era condicionado ao pagamento de taxas e proibido para mulheres. Caracterizado por batalhas de água, "limões de cheiro" e seringas, o festejo ocupava o espaço público de forma orgânica. Diferente das normas rígidas do teatro, o entrudo permitia a participação ativa das mulheres, que se lançavam nas disputas de água e aromas pelas ruas da cidade.Os desfiles oficiais seguiam um itinerário rigoroso pelas principais artérias da Campinas antiga. O cortejo percorria vias históricas, como as ruas da Ponte (atual Major Sólon), do Comércio (Dr. Quirino) e do Rosário (Francisco Glicério), serpenteando pelo centro até o Largo do Teatro (Ruy Barbosa). O trajeto não era apenas geográfico, mas um símbolo de ocupação do espaço urbano pela classe dominante.
