O icônico chapéu de Indiana Jones nasceu aqui

A trajetória da Chapéus Cury conecta Campinas a uma das maiores aventuras da cultura pop

Por Por Ana Carolina Martins

Modelo de chapéu do Indiana Jones feito na antiga fábrica Cury em Campinas

O deserto parece não ter fim… O vento levanta a poeira em redemoinhos, enquanto ele corre…não por coragem, mas por instinto. O seu chapéu quase voa, enquanto o seu chicote estala no ar, e, por um segundo, tudo parece perdido! Eis então que, em um último gesto antes da porta de pedra se fechar, ele se joga pela pequena abertura ainda possível, sem deixar cair o seu chapéu, um Fedora marrom que permanece firme na cabeça.

Foi ali, naquele frame congelado do filme de aventura, que o personagem do ator estadunidense Harrison Ford imortalizou o dr. Henry Walton "Indiana" Jones Jr. como um arqueólogo destemido e icônico, que equilibrava a vida acadêmica com suas aventuras perigosas na década de 1980.

O personagem Indiana Jones, criado pelos gênios do cinema - George Lucas e Spielberg - tornou-se um ícone pop na época, conhecido por ser audacioso, charmoso e ter um medo irracional de cobras. Não apenas pelo arqueólogo destemido que representava, mas por aquilo que o identificava à distância: o seu chapéu.

Reprodução Walt Disney Studios Motion Pictures - O ator Harrison Ford, interpretando o personagem Indiana Jones, sucesso do cinema mundial, com o icônico chapéu produzido em Campinas.

‘DNA campineiro’

Lucasfilm Ltd. - Indiana Jones (Harrison Ford) e Helena (Phoebe Waller-Bridge) no filme "Indiana Jones e a Relíquia do Destino", lançado em 2023

Um fim que não tem fim

Restaram apenas a fachada e a chaminé preservadas como memória física de um passado que não existe mais, mas que permanece na memória do campineiro. Um tipo de fim que não é exatamente um fim, pois há histórias que continuam mesmo quando os prédios caem.

A Chapéus Cury é uma delas. Está nas lembranças de quem trabalhou ali, nas fotografias esquecidas e, de forma quase mágica, também no cinema, atravessando desertos imaginários na cabeça de um aventureiro.

E foi assim, entre trilhos de trem, máquinas a vapor e sonhos industriais, que uma cidade do interior de São Paulo ajudou a vestir um herói global. Sem alarde e sem créditos no final, mas com a elegância silenciosa de quem sabe que certas marcas não precisam de assinatura para se tornarem eternas.

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