HC-Unicamp, um gigante público da saúde

Hospital de alta complexidade combina atendimento de ponta, ensino e produção científica

Por Por Ana Carolina Martins

Imagem aérea da Cidade universitária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que inclui o HC-Unicamp

Poucas instituições sintetizam tão bem o encontro entre ciência, ensino e atendimento público quanto o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. O HC-Unicamp é hoje um dos maiores hospitais universitários do Brasil e um pilar de excelência do Sistema Único de Saúde (SUS) e referência em alta complexidade para Campinas, o Estado de São Paulo e o país.

A origem dele está intrinsecamente relacionada à consolidação da universidade enquanto polo científico. A Faculdade de Ciências Médicas (FCM), criada em 1963, iniciou as suas atividades ainda sem um hospital próprio, atuando em estruturas como a Maternidade de Campinas e a Santa Casa local.

Durante quase duas décadas, foi nesse ambiente que se estruturou o ensino médico e os primeiros atendimentos, sendo uma base que sustentaria a criação de um hospital próprio, mais moderno e integrado à proposta acadêmica.

Os primeiros passos

A construção do Hospital de Clínicas (HC) começou em 1975, após a implantação do campus no distrito de Barão Geraldo. Os primeiros ambulatórios foram inaugurados em 1979, contudo, a consolidação definitiva se deu em 10 de outubro de 1985, quando o hospital passou a operar plenamente. A partir daí, o crescimento foi contínuo, acompanhando a expansão da universidade e as demandas crescentes da saúde pública.

Atualmente, o HC se destaca como um hospital terciário, voltado a casos de média e alta complexidade, oferecendo 47 especialidades médicas e atuando como referência para uma macrorregião de 86 municípios, cobrindo aproximadamente 6,5 milhões de habitantes.

Concomitantemente, seu alcance ultrapassa as fronteiras regionais, recebendo pacientes de diversas partes do Brasil, que chegam ao hospital à procura de tratamentos especializados, sobretudo em casos raros ou de alta complexidade.

Caius Lucilius/HC Unicamp - Corredor interno do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp

Impacto impressiona

O impacto assistencial impressiona. Desde 1985, o hospital já realizou milhares de atendimentos pelo SUS, tratando de mais de 7 milhões de pessoas ao longo de sua trajetória. Em sua estrutura robusta foram realizadas aproximadamente 15 mil cirurgias e 15 mil internações por ano. Tudo 100% público e gratuito.

Um dos pilares dessa estruturação é a sua resposta a situações críticas graves. O HC assume um papel estratégico na rede de urgência e emergência por meio da Unidade de Emergência Referenciada (UER), sendo fundamental no atendimento a traumas e casos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Nesse contexto, funciona como retaguarda de alta complexidade para toda a região, contribuindo diretamente para a redução da mortalidade em situações agudas.

Formação altamente qualificada

Entretanto, o HC-Unicamp é muito mais, é também um dos principais centros de formação em saúde do país, atuando como hospital-escola da universidade, equipamento essencial para a formação de alunos de graduação, especialmente dos cursos de Medicina e Enfermagem, sediando também um dos maiores programas de residência médica do Brasil. Essa integração garante atualização constante, qualidade assistencial e formação de profissionais altamente qualificados.

Na pesquisa, também desempenha papel igualmente estratégico. Protocolos assistenciais, estudos clínicos e inovações na saúde são desenvolvidos continuamente, com destaque para áreas como a endocrinologia pediátrica, triagem neonatal e oncologia. Toda essa produção científica fortalece a universidade e contribui diretamente para o aprimoramento do SUS em âmbito nacional.

Caius Lucilius/HC Unicamp - Entrada principal do Hospital da Clínicas (HC) da Unicamp

Potencial reconhecido

O reconhecimento de sua potência acompanha a sua história. O hospital figura entre os melhores hospitais públicos do Brasil e, mais recentemente, foi incluído em rankings internacionais, como o ranking World's Best Hospitals 2026, da Newsweek, que o classificou entre os melhores do mundo em 2026, confirmando o indicativo de qualidade assistencial, acadêmica e científica alcançado ao longo de décadas.

Inserido em um complexo de saúde mais amplo, que inclui o Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e o Hemocentro da Unicamp, o Hospital de Clínicas amplia ainda mais o seu impacto, ao formar uma das mais importantes estruturas de assistência, ensino e pesquisa em saúde em território nacional.


Saiba mais:

Pedra fundamental: 1975
Início dos ambulatórios: 1979
Inauguração: 10 de outubro de 1985
Área total: cerca de 104 mil m²
Área construída: aproximadamente 65 mil m²
Número de leitos: 405 leitos ativos (corrigido)
Especialidades médicas: 47

Abrangência:

Municípios atendidos: 86
População de referência: cerca de 6,5 milhões de habitantes

Atendimento (perfil anual)

Internações: ~15 mil/ano
Cirurgias: ~15 mil/ano (média de 40 por dia)
Consultas e procedimentos ambulatoriais: ~2,6 milhões/ano
Exames realizados: mais de 3,3 milhões/ano
Produção recente (dados oficiais – 2024)
Internações: 12.362
Atendimentos de emergência: 55.010
Cirurgias: 13.604
Transplantes: 362
Exames laboratoriais: 2.166.971
Exames radiológicos: 148.983

Estrutura humana e ensino

Funcionários: 3.200
Docentes da Faculdade de Ciências Médicas: ~300
Médicos residentes: mais de 600
Alunos de graduação e pós-graduação: centenas por ano

Perfil institucional

Atendimento: 100% pelo SUS
Classificação: hospital terciário (alta complexidade)
Atuação integrada: ensino, pesquisa e assistência

Destaques

Um dos maiores hospitais universitários do Brasil
Referência em alta complexidade no SUS
Reconhecimento nacional e internacional (ranking da revista Newsweek, 2026)