Pesquisa do Ciesp Campinas aponta queda na produção, no emprego e no lucro da indústria
Levantamento do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas aponta que a indústria regional registrou retração na produção, no emprego e na lucratividade em outubro. A queda da demanda foi apontada por 54% das indústrias associadas como principal desafio para o último trimestre, enquanto 61% não pretendem investir na ampliação da capacidade produtiva nos próximos 12 meses.
Em outubro, 46% das empresas reduziram a produção, ante 9% em setembro. Apenas 23% registraram aumento. No faturamento, 39% venderam menos que no mês anterior. O emprego também recuou: 31% das indústrias cortaram vagas. Em outubro de 2025, o quadro de funcionários permanecia estável em todas as pesquisadas.
A utilização da capacidade instalada acompanhou a retração. A parcela de indústrias operando acima de 80% caiu de 28%, em setembro, para 7%, em outubro. No período, 16% passaram a operar abaixo de 50%.
Lucro e custos
A lucratividade recuou em 54%, ante 36% em setembro e 22% há um ano. Os custos de matérias-primas aumentaram para 44%, com energia, água e transporte pressionando 42% das indústrias, enquanto os custos trabalhistas subiram para 38%.
O endividamento também avançou de acordo com a pesquisa. Em outubro, 23% ampliaram as dívidas em razão de resultados inesperados no faturamento. Em setembro, nenhuma havia relatado a situação.
Investimentos e desafios
A parcela de indústrias sem intenção de ampliar a capacidade produtiva nos próximos 12 meses passou de 36%, em setembro, para 61%, em outubro. Em outubro de 2025, o índice era de 22%. Além da demanda, 31% apontaram a falta de mão de obra técnica ou operacional qualificada como obstáculo ao cumprimento das metas do trimestre.
Para José Henrique Toledo Corrêa, diretor do Ciesp Campinas, os resultados revelam o receio do setor. "Os juros altos não apareceram como principal desafio na pergunta do mês, mas a retração da demanda está intimamente ligada a eles. O dinheiro fica muito caro, as empresas perdem liquidez e a população, altamente endividada, consome menos. Isso gera um efeito em cascata sobre toda a cadeia produtiva", afirma.
Sobre os cortes de vagas e a escassez de profissionais, Corrêa afirma: "as empresas estão demitindo porque não estão vendendo. Isso não resolve a escassez de mão de obra qualificada, que continua sendo um problema estrutural da indústria."
O diretor afirma que o levantamento confirma tendências anteriores. "Falta de investimento, queda de lucro, custos elevados, endividamento. Tudo isso atinge as empresas de maneira muito impactante. E as incertezas do cenário pós-eleitoral tendem a pesar ainda mais nos números das próximas sondagens", conclui.