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"Combates à especulação imobiliária e a data centers serão prioridades", diz futuro vereador Paulo Bufalo

Suplente assume a cadeira de na Câmara Municipal no lugar de Mariana Conti (PSOL) eleita deputada estadual neste domingo (4)

Por Moara Semeghini - Campinas

Eleita para a Alesp, Mariana Conti (PSOL) passará o bastão de vereadora na Câmara Municipal para o primeiro suplente, Paulo Bufalo (PSOL)

Com a vitória de Mariana Conti (PSOL), que foi eleita deputada estadual neste domingo (4) com 126.338 votos, e que seguirá rumo à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a partir de fevereiro de 2027, o cenário político de Campinas ganha um novo desdobramento no Legislativo municipal. O primeiro suplente da legenda, Paulo Bufalo (PSOL), assumirá a cadeira na Câmara Municipal. 

Futuro vereador, Paulo Bufalo afirma que priorizará a pauta climática, o combate a data centers e a defesa de áreas de nascentes contra a especulação imobiliária em seu mandato a partir de 2027. 

Engenheiro, mestre em Educação pela Unicamp e professor da rede pública, com mais de duas décadas dedicadas à ETEC Bento Quirino, Bufalo traz para o mandato uma bagagem marcada pela articulação com a educação e os movimentos sociais.

O Correio da Manhã conversou com exclusividade com o futuro vereador sobre a transição no parlamento, a sintonia com as pautas lideradas por Mariana e os principais combates que pretende travar na Câmara a partir do ano quem vem.

Confira os principais trechos da entrevista:

"Mandato ágil e sintonizado com a classe que vive do trabalho"

Correio da Manhã: Você assume a cadeira deixada pela Mariana Conti na Câmara a partir de fevereiro de 2027. O mandato dela ficou marcado por uma presença muito forte nos embates da cidade. Como você pretende imprimir o seu estilo próprio, conhecido por ser voltado ao diálogo e à construção coletiva, para manter firmes essas mesmas bandeiras na Câmara?

Paulo Bufalo: Embora nós tenhamos estilos próprios, de certa forma, a presença nos embates da cidade, nas pautas de interesse do povo faz parte um pouco da atuação do PSOL. Por isso, nós devemos preservar essa presença, tentar contribuir na organização dos movimentos, das pessoas organizadas em torno dessas pautas, desses embates. Por outro lado, como vai se tratar de um mandato curto, nós teremos que ser muito assertivos, muito ágeis naquilo que nós vamos oferecer nesse mandato, para que a gente dialogue com o anseio dos movimentos sociais e, sobretudo, com os interesses da classe que vive do trabalho.

Emergência climática, data centers e especulação imobiliária como prioridades

CM: A atuação da Mariana ficou muito marcada pela defesa intransigente do meio ambiente e do patrimônio público de Campinas, como vimos nas lutas contra o corte irregular de árvores na Praça do Coco, a venda da Fazenda Remonta e a instalação desregrada de data centers na cidade. Você pretende dar continuidade direta a essas mesmas bandeiras e embates?

Paulo Bufalo: Sem dúvida. A questão da emergência climática, que já era a pauta dos meus mandatos anteriores, terá lugar central nesse novo mandato. As pautas que a Mariana tocava, como o enfrentamento à instalação de data centers, as questões do uso predatório de áreas de nascentes, de áreas que precisam ser protegidas, serão tratadas com prioridade.

Quando discutimos, por exemplo, a própria especulação imobiliária na cidade de Campinas, que, de certa forma, manda no governo [municipal], estamos discutindo a ocupação predatória dessas áreas e desses territórios, além da questão da venda de tecnologia de monitoramento, de contenção, ligada ainda a um terceiro aspecto, que é a venda da segurança privada.

No fim das contas, você tem condomínios fechados onde as pessoas buscam a sensação de isolamento e segurança, o que movimenta o capital. Qual é o problema disso? Tem a ver com a questão ambiental propriamente dita, mas também com um modelo de vida que segrega as pessoas da cidade. Passamos a ter cidadãos cujos quintais são os shoppings. Que tipo de sociedade estamos reproduzindo com isso? Uma sociedade muito mais desigual e preconceituosa. Eu pretendo, sim, lidar com essa situação.

Porque, no fim, você tem condomínios que as pessoas se fecham para ter a sensação de que estão seguras, e tudo isso movimenta a questão do capital. Qual é o problema disso? Tem a ver com a questão ambiental propriamente dita, mas tem a ver com o modo de vida também que segrega essas pessoas da cidade. Então, passamos a ter pessoas vivendo e sendo criadas em condomínios, cujos quintais são os shoppings da cidade.

Então, que tipo de sociedade nós vamos reproduzir disso? Uma sociedade muito mais desigual, preconceituosa.

E, particularmente, essa questão do data center, cujos projetos foram anunciados recentemente aqui na cidade, além do debate propriamente dito, a própria tecnologia utilizada em torno desses equipamentos, são de altíssimo consumo de água e de energia por conta das torres de resfriamento e armazenamento de dados. Nós poderíamos desenvolver tecnologias nacionais e próprias aqui que cumpririam papéis semelhantes com investimentos importantes em geração de conhecimento, em ciência e tecnologia locais, nacionais.

Só que isso não é pensado, porque se opta sempre pela compra de tecnologias de fora, sem qualquer controle, sem qualquer análise. E, em torno disso, há também o abandono da ideia de participação popular nessas decisões, com o desmonte e o desprezo aos nossos conselhos municipais, que precisam ser urgentemente recolocados no centro do debate da cidade.