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Ato político com Renan Santos tem queima de fogos proibida por lei, prejudica aulas e gera revolta na PUC-Campinas

Aglomeração na entrada do campus teve rojões de alto impacto, bloqueio de vias e reforço da segurança privada; trânsito provocou atrasos de até 50 minutos para estudantes

Por Moara Semeghini - Campinas

Reprodução de vídeo mostra a entrada do Campus 1 da PUC-Campinas tomada por fumaça e pelo barulho de fogos de artifício durante ato do candidato Renan Santos na noite desta quarta

Uma queima de fogos de artifício com estampido, prática expressamente proibida por leis municipal e estadual, marcou o ato político do candidato à Presidência da República Renan Santos (MBL) na noite de quarta-feira (23), na entrada da PUC-Campinas. A manifestação, concentrada na rua em frente aos bares universitários, causou forte algazarra, bloqueou vias de acesso e prejudicou o andamento das aulas no campus.

Apesar de as atividades acadêmicas não terem sido formalmente suspensas pela universidade, o barulho excessivo e a retenção do trânsito no entorno inviabilizaram a concentração nas salas e causaram grandes atrasos. Relatos de alunos apontam que o bloqueio nas vias do entorno fez com que estudantes atrasassem em até 50 minutos para chegar às salas de aula.

Vídeos registrados nas redes sociais mostram o momento em que apoiadores acenderam sinalizadores e soltaram rojões de alto impacto na via pública. Diante do tumulto do lado de fora, a equipe de segurança da PUC-Campinas precisou reforçar as portarias para impedir o ingresso de manifestantes e o estacionamento não autorizado de veículos da comitiva dentro da instituição.

Ilegalidade e risco perto de hospital

A soltura de fogos com estalo e estampido é banida em Campinas pela Lei Municipal nº 15.433/2017 e pela Lei Estadual nº 17.389/2021, que preveem multas e fiscalização devido aos riscos a idosos, pessoas no espectro autista, enfermos e animais. Além do transtorno ao ambiente acadêmico, frequentadores destacaram o risco da algazarra devido à proximidade do local com o Hospital Madre Theodora.

A professora e escritora Regina Pedroso, mãe de uma aluna da graduação de Cinema da PUC, indignou-se com o descumprimento da legislação e confirmou ter acionado a Justiça Eleitoral.

"Fico indignada com a campanha de um candidato à Presidência infringir a lei, soltando rojões, não respeitando pessoas sensíveis e animais silvestres da região com o barulho provocado. Fecharam também as vias de acesso em frente à universidade. A segurança lá foi reforçada porque a bagunça foi na frente e eles não tinham autorização para entrar. Já fiz a denúncia no site do TSE", declarou Regina.

PUC-Campinas

Confira a resposta da PUC-Campinas, na íntegra:

A PUC-Campinas não permite a campanha de candidatos a cargos eletivos dentro de seus campi. A manifestação política na noite do dia 23 de setembro ocorreu fora das dependências da Universidade, em área pública, sobre a qual a Instituição não tem gestão.

Transtorno nas salas e reação do DCE

Estudantes relataram que o volume dos rojões e das caixas de som tornou o ambiente insuportável para o aprendizado. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC-Campinas publicou notas de repúdio nas redes sociais denunciando a perturbação do sossego e a interferência direta no direito dos alunos de assistirem às aulas.

Participantes de eventos acadêmicos na mesma noite também criticaram a falta de intervenção policial na via pública.

Por outro lado, um funcionário da universidade, sob condição de anonimato, pontuou que a contenção da segurança evitou males maiores no ambiente interno:

"A universidade teve que reforçar a segurança nos portões para garantir que não iriam tentar estacionar aqui dentro. Dei aula normalmente e alunos comentaram que estava fraco o tal evento, que ficou na rua, na frente dos bares. Se eles queriam alguma confusão, não conseguiram", relatou.

Sem retorno da assessoria do Missão

A assessoria do partido Missão não respondeu até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.