Revisão fiscal e tributária preocupa 55% das indústrias
Mudanças fiscais, custos em alta e risco eleitoral travam aportes regionais
A Sondagem Industrial de setembro apresentada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Regional Campinas, revela que alterações nas políticas tributária e fiscal representam a principal apreensão para 55% das indústrias instaladas no polo regional nos próximos 12 a 24 meses.
Mudanças de alíquotas, implementação de reformas de arrecadação e ajustes no ambiente fiscal do país figuram no topo da lista de riscos operacionais e estratégicos. O levantamento aponta que 18% dos empresários temem sobressaltos na governabilidade e estabilidade institucional, afetando a previsibilidade e a aprovação de matérias de interesse produtivo.
Outros 18% indicam sobressaltos ligados aos ciclos eleitorais e à volatilidade do mercado, fatores que restringem investimentos e oscilam o câmbio. Apenas 9% dos entrevistados afirmam não prever impactos relevantes, enquanto exigências regulatórias não foram assinaladas.
Segundo a diretoria do Ciesp-Campinas, avanços na produção e no uso da capacidade instalada não geraram lucros nem estímulo a aportes. Custos em alta e inadimplência crescente comprimem as margens operacionais do setor produtivo. As indústrias fabricam mais volume, porém obtêm retorno financeiro reduzido e mantêm postura cautelosa.
"Combinado com custos em alta e inadimplência subindo, o quadro sugere margens espremidas e empresas produzindo mais, mas ganhando menos e mais cautelosas para investir”, afirma o diretor José Henrique Toledo Corrêa.
“A pesquisa também apontou alguns alertas de preocupação, como as revisões na política fiscal e tributária, mudanças em alíquotas, implementação de reformas na arrecadação e ajuste no ambiente fiscal do País. Dependendo do próximo governo, poderemos ter surpresas positivas ou negativas”, declara.
Números
No comércio exterior, a Regional Campinas somou US$ 2,4 bilhões em exportações no acumulado do ano até agosto, avanço de 4,97% ante 2025. As importações totalizaram US$ 9,6 bilhões, alta de 1,59%. O déficit acumulado atingiu US$ 7,1 bilhões, enquanto a corrente de comércio alcançou US$ 12,1 bilhões.
O município de Campinas lidera as vendas externas regionais, respondendo por 34,40% do total exportado em agosto (US$ 320 milhões), seguido por Paulínia (21,88%), Sumaré (10,51%), Mogi Guaçu (8,59%) e Valinhos (5,69%).
Nas importações de agosto (US$ 1,4 bilhão), Campinas figura em segundo lugar com 25,65%, atrás de Paulínia (42,43%). Os Estados Unidos representaram o principal destino das exportações regionais em agosto (20,56%), seguidos por Argentina (10,85%) e México (5,20%).
Nas compras externas, a China liderou o suprimento regional (32,55%), à frente de Estados Unidos (14,34%) e Coreia do Sul (7,88%).