Ponte terá que pagar R$ 87mil para perito da Justiça extrair informações que clube deveria ter dado de graça
A Ponte Preta terá que pagar R$ 87 mil para um perito judicial extrair os dados que o clube poderia ter fornecido de graça em uma ação judicial. A ordem é da juíza Vanessa Miranda Tavares de Lima, após a associação descumprir reiteradamente o acesso às informações, o que levou o Judiciário a impor a perícia forçada com o ônus à própria Macaca.
A Ponte terá que depositar R$ 87.312,50 em juízo, em até 15 dias, conforme a decisão da magistrada, assinada na última quarta-feira (16). O valor é destinado ao pagamento de honorários periciais para a extração de dados do sistema do clube entre janeiro de 2018 e a data da diligência.
O pedido para obter as informações partiu de ação movida em 2021 pelos ex-conselheiros Eduardo Bertolazzi e Errol dos Santos.
“É importante ressaltar que os dados que já temos evidenciam que tanto o processo eleitoral de 2021 quanto o de 2025 foram viciados, maculados de maneira irrecuperável, com conselheiros retirados do quadro irregularmente e outros votaram ou receberam votos sem ter esse direito, pois estavam inadimplentes", pontua o advogado João Felipe Artioli, que representa os ex-conselheiros Bertolazzi e Santos.
"Contudo, a Justiça nos concedeu um acesso ainda mais amplo para ampliarmos a busca de dados e a Ponte nunca cumpriu. Assim, foi designado o perito judicial para fazer esse acesso e, caso a Ponte não pague o valor, isso praticamente vai equivaler a uma confissão de culpa nas irregularidades. E se ela não pagar e permitir a perícia, tudo que verificamos até agora passará a se presumir verdadeiro na Justiça”, declara.
A perícia
O perito José Pio Tamassia Santos informou que as atividades de coleta, extração de dados, análise e elaboração de laudo exigirão 83 horas de trabalho. A determinação judicial estabelece a extração de dados do sistema para levantar:
- Identificação dos usuários cadastrados;
- Registros de acesso entre 01/01/2018 e a data da diligência;
- Origem dos acessos;
- Histórico de manipulação de dados do cadastro dos conselheiros;
- Histórico de alterações de privilégios;
- Histórico de alterações das configurações do sistema;
- Funcionamento dos mecanismos de auditoria e registro;
- Ocorrência de supressão ou alteração de registros;
- Causa da falha de acesso após redefinição da senha de administrador.
As informações apontadas pela defesa dos ex-conselheiros e que poderão ou deverão ser confirmadas com o material da perícia envolvem:
- Contas de usuários com acesso total ao sistema fora dos perfis de gestão do Conselho Deliberativo;
- Acesso ao sistema por David Martins, assessor da Diretoria Executiva na época, com alterações em dados cadastrais de conselheiros da oposição a chapa;
- Acesso ao sistema por Marco Antonio Eberlin, ex-presidente e atual vice-presidente da Diretoria Executiva, sem vínculo formal com o Conselho Deliberativo;
- Registros de acessos em horários fora do padrão e alterações do status de conselheiros em período anterior aos pleitos;
- Pagamentos de mensalidades em espécie concentrados em datas específicas antes das eleições e inclusão de conselheiros em intervalo curto de tempo.
O outro lado
O Correio da Manhã entrou em contato com a Ponte Preta para obter o posicionamento do clube, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.