Projeto peles-em-chip é contemplado com o Prêmio Dermatologia + Inclusiva da L’Oréal

Modelos com diferentes pigmentações torna os estudos sobre melanoma mais representativos da população brasileira

Por Redação

O projeto Peles-em-Chip desenvolve modelos tridimensionais de pele com diferentes pigmentações, ampliando a precisão de estudos sobre melanoma

O projeto Peles-em-Chip desenvolve modelos tridimensionais de pele com diferentes pigmentações, ampliando a precisão de estudos sobre melanoma. Os modelos podem ser aplicados em pesquisas de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de pele.

Resultado de uma parceria entre Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa da Unicamp, o projeto reúne pesquisadoras do Centro de Engenharia Biomédica (CEB), do Centro de Componentes Semicondutores e Nanotecnologias (CCSNano) e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB). Recentemente, foi contemplado com uma bolsa de R$ 50 mil na 2ª edição do Prêmio “Dermatologia + Inclusiva”, promovido pela Diretoria de Pesquisa & Inovação da L’Oréal Beleza Dermatológica.

O prêmio foi entregue nesta terça-feira (dia 15), na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro. A iniciativa busca incentivar uma dermatologia mais inclusiva e reconhece pesquisas que ampliam o conhecimento sobre a saúde da pele em populações historicamente sub-representadas. A premiação chega em um momento estratégico para o projeto, que busca ampliar seu financiamento para as próximas etapas. “O reconhecimento do prêmio L’Oréal vai muito além do recurso financeiro. Ele dá visibilidade ao projeto, fortalece nossa pesquisa e aumenta as possibilidades de conseguirmos novos financiamentos para expandir o trabalho”, destaca Bruna de Melo, pesquisadora do CEB.

Para Raluca Savu, coordenadora da Cocen (Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de pesquisa da Unicamp) e pesquisadora do CCSNano, o prêmio também carrega uma dimensão social importante para o Brasil. “Em um país em que mais da metade da população se declara negra ou parda, muitos produtos cosméticos ainda são testados majoritariamente em populações caucasianas e europeias. O reconhecimento de uma grande empresa internacional para um projeto voltado à realidade brasileira mostra uma mudança de cultura e de olhar para as necessidades específicas da nossa população.”

O primeiro ano do projeto foi financiado pelo Edital Convergências, iniciativa da Cocen, com financiamento da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), que busca articular Centros e Núcleos de diferentes áreas em torno de desafios científicos complexos contemporâneos.

Peles em chip

Melo explica que a construção da pele artificial ocorre em etapas e que é a bioimpressão 3D que permite criar estruturas tridimensionais, mais complexas que os modelos in vitro e mais semelhantes à fisiologia da pele humana. “Tentamos chegar o mais perto possível do modelo fisiológico e patológico, pois queremos criar modelos de pele também com melanoma.”

Esse tecido mimético, com características funcionais que simulam a pele humana, permite estudar doenças de forma muito mais precisa do que os modelos tradicionais. A pesquisadora do CEB explica que o processo começa pela produção da derme. Em seguida, é adicionada a epiderme, formando uma estrutura tridimensional que reproduz com maior fidelidade a pele humana. “Na bioimpressão 3D, conseguimos criar essas estruturas camada por camada. Então, misturamos o biomaterial que vamos usar para a derme com as células da derme, que são principalmente os fibroblastos. Queremos fazer uma derme vascularizada. E assim fazemos uma bioimpressão dentro dessa derme com as células endoteliais, para criarmos os vasos sanguíneos ali dentro. Por cima, fazemos uma outra bioimpressão com outro material, com agora as células da epiderme. Então, colocamos os melanócitos, depois os queratinócitos.”

Esse modelo é integrado a um chip, por onde circula continuamente o meio de cultura, permitindo que nutrientes sejam constantemente fornecidos às células enquanto os metabólitos são removidos, reproduzindo a perfusão sanguínea e simulando o dinamismo da corrente sanguínea.

A participação do CCSNano ocorre no desenvolvimento dos dispositivos microfluídicos utilizados no sistema. Segundo Savu, a proposta foi criar uma plataforma mais flexível e acessível para os ensaios biológicos. “O chip é feito no CCSNano, desde a parte de microfabricação, polímeros e fotogravação até a parte das caracterizações, tanto do chip como das peles.”

Nesses tipos de ensaios biológicos, os sistemas são muito caros. Contudo, por meio da microfabricação, é possível fazer dispositivos adaptados para as necessidades do projeto. “Normalmente, os equipamentos prontos têm uma certa configuração que não pode ser alterada. Essa parte de criação do chip, feita por nós, permite mudança de configuração e de tamanho, o que favorece o aprimoramento da parte experimental”, complementa Savu.

As informações são do Portal Unicamp unicamp.br