Incêndio mata menino de 3 anos e deixa feridos em Campinas; prédio ocupado é alvo de disputa judicial desde 2017
Fogo atingiu último andar de edifício no Jardim Itayu. Criança de 4 anos será transferida para vaga especializada em Bauru, enquanto local abriga 108 famílias sem equipamentos de segurança.
Um incêndio de grandes proporções no último andar de um edifício de seis pavimentos deixou uma criança de 3 anos morta e outras duas feridas na manhã desta terça-feira (15), no Jardim Itayu, região do Carlos Lourenço, em Campinas. O imóvel onde ocorreu a tragédia é uma propriedade particular ocupada de forma irregular desde 2017 e é objeto de uma ação judicial de reintegração de posse.
A vítima fatal é um menino de 3 anos, que teve o corpo carbonizado. Ele era primo de outras duas crianças feridas no incêndio, uma menina de 6 anos e um menino de 4 anos, que sofreram queimaduras na região do rosto e conseguiram deixar o apartamento em chamas com a ajuda de vizinhos.
Estado de saúde dos feridos
Os dois irmãos sobreviventes foram levados inicialmente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Carlos Lourenço. Devido à gravidade dos ferimentos, a menina de 6 anos foi transferida para o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp.
Já o menino de 4 anos foi encaminhado para a Unidade Pediátrica Mário Gattinho. De acordo com a Rede Mário Gatti, o garoto está sob atendimento na unidade e será transferido ainda nesta terça-feira (15) para uma vaga especializada no Hospital Estadual de Bauru. O transporte será realizado pela equipe do Samu Campinas.
A mãe das crianças também precisou de atendimento médico e segue internada na UPA do bairro.
Fogo concentrado e estrutura precária
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h42 e mobilizou sete viaturas para o combate às chamas. O foco inicial do incêndio ficou concentrado em um dos cômodos da residência, mas as causas do fogo ainda são inconclusivas.
A localização da vítima fatal só foi possível após a contenção das chamas pelas equipes de resgate, devido ao grande acúmulo de roupas, móveis e materiais desorganizados no local. A Polícia Científica foi enviada para realizar a perícia técnica.
Segundo avaliação do Corpo de Bombeiros, o prédio apresenta sérios riscos à segurança dos moradores e não possui condições de ser habitado. Além do perigo de curtos-circuitos causados por ligações elétricas clandestinas, o imóvel não tem hidrantes, equipamentos de proteção contra incêndio, proteção em escadas e possui a caixa do elevador vazia.
Disputa judicial e oferta de moradia
Em nota, a Prefeitura de Campinas lamentou a tragédia, prestou solidariedade às famílias e destacou que acompanha a ocupação desde o início. Atualmente, o cadastro municipal contabiliza 108 famílias vivendo no edifício.
A administração municipal explicou que a eventual desocupação da área depende dos trâmites da ação judicial de reintegração de posse movida pelo proprietário do terreno. O município informou ainda que ofereceu o Auxílio-Moradia Emergencial às famílias como alternativa habitacional, mas não houve adesão por parte dos moradores, que optaram por permanecer no local. Tentativas recentes de atualizar o recadastramento por parte da Secretaria de Habitação também foram recusadas pelos residentes.
As causas e circunstâncias do incêndio continuam sob apuração dos órgãos competentes.