25 anos da morte de Toninho, e Campinas segue sem resposta
Campinas ainda não tem uma resposta definitiva sobre o assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, morto há 25, em setembro de 2001, aos 49 anos de idade, com oito meses à frente do Executivo campineiro. O inquérito foi encerrado sem condenação, e a suspeita de motivação política, defendida pela família, não foi comprovada.
Na noite do crime, Toninho deixou a Prefeitura após participar de um ato do Movimento Negro e passou pelo Shopping Iguatemi para buscar um terno. Depois, seguiu sozinho para casa no Fiat Palio que possuía. Na Avenida Mackenzie, foi atingido por um disparo que alcançou a aorta. Morreu dentro do veículo.
Arquiteto e militante histórico do PT, havia sido eleito prefeito com cerca de 60% dos votos, a maior votação obtida até então para o cargo em Campinas. Era conhecido por questionar obras públicas, licitações e contratos e por críticas a grandes empreiteiras.
A investigação policial concluiu, em 2002, que o prefeito teria sido morto por integrantes de uma quadrilha de sequestradores liderada por Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho. Segundo essa versão, o carro de Toninho teria atrapalhado a fuga e sido atingido pelos disparos. O crime, portanto, não teria relação com a atuação política do prefeito.
O Ministério Público apontou Anderson José Bastos, o Ancio ou Puff, como autor do disparo. Ele e outro suspeito morreram menos de um mês depois, durante uma operação policial em Caraguatatuba. Outros integrantes do grupo também morreram posteriormente em confrontos com a polícia.
Andinho foi denunciado por homicídio qualificado, mas negou participação. Sem provas suficientes, a Justiça determinou a reabertura das investigações em 2011, mas ele nunca foi condenado pelo assassinato.
A família sempre contestou a versão de crime ocasional. A viúva, Roseana Garcia, sustentou que Toninho poderia ter sido morto por causa da atuação política e cobrou uma investigação mais ampla. Em 2005, durante depoimento a uma CPI do Senado, relatou a hipótese de que o crime teria sido planejado em uma casa de bingo de Campinas.
O caso teve reaberturas e arquivamentos até novembro de 2022, quando o juiz José Henrique Rodrigues Torres, da Vara do Júri de Campinas, determinou o encerramento definitivo do inquérito, a pedido do Ministério Público. O crime havia prescrito.