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Estado chega a 30 casos de sarampo; vacinação cresce 94,6% em Campinas

A mobilização da rede municipal ampliou a procura pela vacina e reforçou a prevenção diante do avanço da doença em outras regiões

Por Moara Semeghini - Campinas

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para todas as pessoas que não possuem o esquema vacinal completo, independentemente da idade

Campinas ampliou em 94,64% a aplicação de doses da vacina contra o sarampo em agosto, na comparação com a média mensal registrada no primeiro semestre de 2026. Foram 6.719 imunizações no mês, contra uma média de 3.452 doses entre janeiro e junho.

O aumento ocorreu após a intensificação das ações da Secretaria Municipal de Saúde para ampliar a proteção da população, em meio ao avanço da doença no Estado de São Paulo. Nesta quarta-feira (9), a Secretaria de Estado da Saúde confirmou dois novos casos de sarampo em crianças com menos de 2 anos na capital. Com os novos registros, o Estado soma 30 casos da doença neste ano.

Do total de casos confirmados em São Paulo, 22 ocorreram em pessoas que não estavam vacinadas ou apresentavam o esquema vacinal incompleto. Em agosto, cerca de 2,5 milhões de doses da vacina contra o sarampo foram aplicadas em todo o Estado durante uma ampla campanha de imunização, especialmente em Guarulhos e São Bernardo do Campo, que concentraram mais notificações.

Em Campinas, a cidade não registra casos de sarampo desde 2021. Mesmo assim, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou as ações de prevenção diante do cenário epidemiológico paulista e da ocorrência de surtos em outros países.

Segundo a coordenadora do Programa de Imunização de Campinas, Chaúla Vizelli, o aumento na vacinação está relacionado à mobilização conjunta e à divulgação das campanhas.

Quem deve se vacinar contra o sarampo?

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para todas as pessoas que não possuem o esquema vacinal completo, independentemente da idade. O calendário vacinal prevê a aplicação da vacina ainda na infância: a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.

Pessoas que não seguiram o calendário devem ser imunizadas conforme o seguinte esquema:

- De 5 a 29 anos: duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias;
- De 30 a 59 anos: uma dose;
- Trabalhadores da saúde: duas doses, independentemente da idade.

Mais informações estão disponíveis no site da vacinação da Prefeitura de Campinas: vacina.campinas.sp.gov.br

Atenção aos sintomas

A Saúde Municipal reforça a importância de a população ficar atenta ao surgimento de manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre, acompanhadas de um ou mais dos seguintes sintomas:

- Tosse seca;
- Irritação nos olhos (conjuntivite);
- Nariz escorrendo ou entupido;
- Mal-estar intenso.

A orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde diante de qualquer suspeita. Os profissionais de saúde também devem considerar o histórico de viagem de pacientes com sinais suspeitos da doença para que haja notificação rápida e adoção das medidas de controle.

Busca ativa

Diante do cenário, a Saúde de Campinas executou, preventivamente, uma série de ações nas últimas semanas, como intensificar a busca ativa por crianças com vacinação pendente contra o sarampo. A Pasta identificou 11.837 crianças de até 4 anos com registros de imunização contra a doença pendentes e iniciou o contato com essas famílias.

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas identificou os casos em que há falta de registro da primeira ou da segunda dose da vacina tríplice viral ou da tetraviral no sistema e-SUS.

Isso pode significar que a criança realmente está com o esquema vacinal incompleto, mas a ausência do registro também pode ocorrer porque ela foi imunizada em outra cidade ou na rede privada, ou por inconsistências no sistema.

Com base no levantamento realizado, equipes da rede municipal de saúde passaram a avaliar cada caso e entrar em contato com as famílias das crianças com pendências para convocá-las para a vacinação.

Multivacinação

No dia 3 de agosto, teve início uma campanha de multivacinação, que incluiu ações de imunização em escolas, um mutirão no Campinas Shopping, no dia 8 de agosto, e o Dia D, em 22 de agosto.

No Dia D, foram aplicadas 587 doses da tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para pessoas com até 59 anos que ainda não completaram o esquema.

A estratégia de multivacinação ocorreu até 1º de setembro. Cerca de 60 escolas municipais e estaduais de Campinas receberam as equipes durante a campanha.

Reuniões com instituições

A Secretaria de Saúde também organizou reuniões com representantes de escolas, universidades e da rede hospitalar da cidade para orientar sobre a organização dos serviços e reforçar os alertas sobre o sarampo.

O encontro com a rede hospitalar contou com a presença de 59 profissionais dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica, das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs) e de prontos-socorros.

Outra reunião foi com representantes de escolas de ensino infantil, fundamental e médio das redes pública e privada, além do Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa).

Além disso, a Secretaria de Educação de Campinas enviou um comunicado às escolas municipais de educação infantil e de ensino fundamental para reforçar a importância de as famílias manterem atualizadas as cadernetas de vacinação das crianças e adolescentes de até 14 anos.

A orientação é para que as unidades dialoguem com pais ou responsáveis, por meio de conversas presenciais, WhatsApp, cartas e bilhetes, para reforçar que manter a imunização em dia é fundamental para a saúde.

Nesta terça-feira, 8 de setembro, as orientações foram divulgadas para representantes de 11 universidades do Município. Com 42 participantes, o encontro teve como objetivo sensibilizar sobre a situação epidemiológica atual, dar explicações sobre a doença e as formas de prevenção, destacar a necessidade da vacina e incentivar a comunicação interna com alunos e funcionários sobre o tema.