Haddad associa Tarcísio e Bolsonaro a 'máfia do Master' em São José do Rio Preto
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, subiu o tom contra a atual gestão estadual e o bolsonarismo durante ato de campanha neste sábado (5), em São José do Rio Preto. Ao lado do presidente Lula (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e das candidatas ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), Haddad criticou a deterioração das contas do estado, apontou retrocessos na educação e na segurança pública, e fez pesadas denúncias envolvendo o Banco Master e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Haddad lembrou que São Paulo estava com as contas arrumadas no governo Covas, 30 anos atrás. "Agora nós vamos pegar o estado sem caixa e com déficit orçamentário. Isso que está acontecendo no estado de São Paulo não acontece há 30 anos. Tarcísio recebeu o caixa com R$ 22 bilhões e hoje nós temos o dinheiro para uma semana; R$ 5 bilhões em caixa.
Haddad afirmou que “o bolsonarismo odeia a educação porque ele se nutre da deseducação, ele se alimenta da ignorância. É assim que ele funciona. Ele trabalha com a ignorância e com a desinformação. A cultura e a verdade são o que mais incomodam o bolsonarismo”.
Haddad falou sobre a queda no desempenho escolar do estado: "Ele [Tarcísio] conseguiu uma proeza, presidente Lula. Tarcísio herdou o ensino médio público de São Paulo em terceiro lugar no ranking nacional. O Doria, que veio antes dele, herdou o ensino médio público em primeiro lugar em 2015, quando o Alckmin era governador. Olha o que aconteceu. Nós fomos do primeiro lugar em 2015 para terceiro lugar no governo Doria e para décimo lugar no governo Tarcísio. Ele trabalhou para levar São Paulo ao décimo lugar”, afirmou.
O candidato também disse que a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) “só fez aumentar durante o governo Tarcísio” e falou sobre o avanço da criminalidade no estado nos últimos quatro anos.
“20% dos celulares roubados no Brasil são roubados na cidade de São Paulo e 32% no estado de São Paulo. Ninguém sai na rua, sobretudo na capital, com celular que vai ser roubado”, disse.
Haddad lembrou que reduziu a dívida da Prefeitura de São Paulo de R$ 74 bilhões para R$ 27 bilhões e exaltou os avanços na educação sob as diretrizes de Lula, citando o ProUni, que já atendeu 3 milhões de estudantes, a expansão das universidades federais e o Fies sem fiador. Em São José do Rio Preto, prometeu zerar o déficit habitacional ao entregar 16 mil moradias contratadas para suprir a demanda de 21 mil famílias sem casa, além de vistoriar as obras da universidade federal na região.
Denúncias de corrupção no Banco Master e ataques a Flávio Bolsonaro
No trecho mais duro de seu discurso, Haddad acusou o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro de integrarem uma engrenagem de corrupção para perpetuação no poder. "O Banco Master é produto da atuação de uma máfia no Brasil. Ele nasce, cresce e se desenvolve durante a gestão do presidente do Banco Central nomeado por Bolsonaro", disparou.
O candidato ao governo de São Paulo afirmou que a instituição realizou negócios com ex-ministros, citando pagamentos de mesadas de R$ 500 mil e repasses ilícitos, além de ter financiado campanhas do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do candidato à Presidência em 2022, Jair Bolsonaro. “Três ministros, o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República. Todo mundo pôs o dinheiro, pôs a mão no dinheiro do Master. E nós não chamamos isso pelo nome que tem. Isso é uma máfia. Quem montou o Banco Master nesse país é uma máfia para se perpetuar no poder. Não conseguiu e quiseram dar um golpe no presidente, impedindo a posse do Lula e do Alckmin, e com plano até de assassinato, e estão achando que o povo vai esquecer. O povo não vai esquecer, não. Nós vamos para a urna dia 4 de outubro passar esse país a limpo com uma Polícia Federal independente.
Haddad relacionou o grupo às articulações golpistas pós-eleição e garantiu que o cenário será passado a limpo na eleição de 4 de outubro com uma Polícia Federal independente, destacando que "Lula não troca diretor da PF para proteger filho".
Encerrando a fala, Haddad direcionou críticas diretas a Flávio Bolsonaro, afirmando que o senador não possui projetos de lei relevantes e acumula suspeitas patrimoniais. "O que eu sei do Flávio? De algum projeto de lei? Não. O que eu sei é que ele comprou 50 imóveis em dinheiro vivo. O que eu sei é que ele comprou uma mansão milionária no Lago Sul de Brasília. O que eu sei é que ele foi fazer tricô na casa do Vorcaro para pedir R$ 130 milhões para ser depositado num fundo da família dele nos Estados Unidos”, afirmou.
“É isso que eu sei do Flávio. Se alguém souber mais alguma coisa do Flávio, favor comunicar, porque ninguém sabe. Nós só sabemos isso. E esse sujeito quer ser candidato à Presidência da República. Não tem condição, gente. Se a gente não souber o que está em jogo até dia 4 de outubro, nós podemos jogar esse país numa crise institucional”, afirmou.
Haddad disse: “Nós temos aqui um estadista de um lado que botou o país lá no lugar que ele merece, no concerto das nações, pagou a dívida externa, fez reserva cambial, fez o país crescer, levou o desemprego à mínima histórica, distribuiu renda, e do outro lado um sujeito que só tem uma capivara para entregar para o povo brasileiro: a sua própria capivara. Esse é o Flávio”.