Unicamp reúne maiores referências nacionais e internacionais na pesquisa em microplásticos
Curso internacional será realizado de 1 a 11 de setembro e visa formar a nova geração de profissionais para enfrentamento da poluição plástica
Cientistas de diferentes países e regiões brasileiras se reunirão em Campinas entre 1º e 11 de setembro para debater os desafios da poluição plástica, durante a sessão da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos. Organizado pela Unicamp e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o evento busca auxiliar estudantes a compreender um dos desafios ambientais mais urgentes da atualidade, sob uma perspectiva estruturada e fundamentada na Ciência.
Ao longo de 11 dias, serão realizadas palestras, aulas teóricas e práticas, apresentações de trabalhos de pesquisa, tutorias de especialistas para o desenvolvimento de projetos sobre a temática por mais de 100 estudantes do Brasil e de outros países e uma visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem). Baseadas em uma perspectiva multidisciplinar, as atividades abordarão os seguintes temas: ciência dos micro e nanoplásticos; ocorrência e o monitoramento dos micro e nanoplásticos na água doce e no ambiente marinho; as interações com outros poluentes e os impactos nas espécies vivas e no ambiente; os desafios e avanços nas técnicas de detecção e análise de microplásticos; os esforços regulatórios atuais, como as negociações para a implementação de um tratado internacional de combate à poluição plástica.
“A Escola é um marco na pesquisa de microplásticos na América Latina, pois reunirá cientistas que são referências nacionais e internacionais no estudo da temática e a nova geração de especialistas para discutir as perspectivas mais atuais em relação a soluções para a poluição plástica”, ressalta Cassiana Montagner, docente no Instituto de Química da Unicamp e coordenadora da ESPCA em Microplásticos.
O vice-coordenador da Escola, Walter Waldman, docente do Departamento de Física, Química e Matemática da UFSCar, também destaca a importância da ESPCA em Microplásticos o conhecimento dos estudos sobre a temática que estão sendo realizados no Brasil e para a integração entre jovens cientistas locais e de outros países. “A Escola auxilia cientistas do Brasil a se inserirem no debate global sobre esse tema, contribuindo para a formação de uma rede e para a internacionalização da pesquisa realizada no país”, complementa o docente.
Entre os conferencistas que participarão da Escola está Richard Thompson, professor de Biologia Marinha e diretor do Instituto Marinho da Universidade de Plymouth (Reino Unido). Com mais de 30 anos de atuação nessa temática, Thompson é considerado o acadêmico responsável por cunhar o termo “microplásticos” e é reconhecido pelo desenvolvimento de pesquisas que mapearam a amplitude da sua presença no planeta e apresentaram evidências dos impactos da poluição plástica em espécies e habitats.
Thompson salienta a relevância do tema. “Minha equipe foi a primeira a descrever microplásticos há cerca de 20 anos, e desde então temos demonstrado que os microplásticos literalmente contaminam nosso planeta, dos polos ao equador, dos oceanos mais profundos até perto do cume do monte Everest. Na verdade, os microplásticos estão agora no ar que respiramos, na água que bebemos e na comida que comemos.”
A proposta da criação da ESPCA em Microplásticos surgiu dentro das ações do projeto temático de pesquisa apelidado de Plast-Agrotox, também financiado pela Fapesp, que investiga como microplásticos e agrotóxicos se dispersam, interagem e afetam diferentes compartimentos ambientais como água, solo, chuva, sedimentos e organismos vivos.
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Entrevista coletiva
No dia 4 de setembro, às 9h30, como parte da ESPCA em Microplásticos, os coordenadores da Escola e Richard Thompson farão uma apresentação do estado atual da pesquisa sobre microplásticos e os esforços regulatórios para o combate à poluição plástica, em entrevista coletiva no miniauditório do Instituto de Química da Unicamp.
As informações são do portal unicamp.br