Adesão ao implante anticoncepcional cresce 553% em Campinas após ser incorporado ao SUS pelo Ministério da Saúde

Por Moara Semeghini - Campinas

O número de aplicações de implante anticoncepcional na rede pública de Campinas aumentou 553,1% no primeiro semestre de 2026

Após parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), o Ministério da Saúde anunciou a inclusão do implante contraceptivo subdérmico Implanon na rede pública em todo o país. Com um investimento governamental de aproximadamente R$ 245 milhões e a meta de distribuir 1,8 milhão de unidades até 2026 sendo 500 mil no primeiro ano de implementação, a medida passou a garantir acesso gratuito a uma tecnologia moderna e de longa duração (três anos), cujo custo na rede privada varia entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.

Na ocasião do anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a relevância da medida para a autonomia das mulheres: "Agora vamos orientar as equipes, fazer a compra e orientar as Unidades Básicas de Saúde de todo o Brasil para já no segundo semestre começar a utilizar no SUS". Para a secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, a oferta do dispositivo representa "um avanço nas ações de fortalecimento do planejamento sexual e reprodutivo no país".

Impacto direto em Campinas

O reflexo da decisão do Governo Federal de disponibilizar a tecnologia na rede pública manifestou-se rapidamente nos municípios. Em Campinas, o fortalecimento das diretrizes nacionais somado à ampliação do acesso resultou em um crescimento de 553,1% no número de aplicações no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre janeiro e junho deste ano, foram aplicados 2.423 implantes na rede municipal — um volume 6,5 vezes maior do que o registrado no primeiro semestre de 2025, quando foram realizados 371 procedimentos.

A progressão dos atendimentos em Campinas no primeiro semestre de 2026 acompanhou o aumento das remessas e da demanda mês a mês:

Janeiro: 197 aplicações (contra 58 em 2025)

Fevereiro: 285 aplicações (contra 66 em 2025)

Março: 315 aplicações (contra 40 em 2025)

Abril: 477 aplicações (contra 57 em 2025)

Maio: 546 aplicações (contra 84 em 2025)

Junho: 603 aplicações (contra 66 em 2025)

O total acumulado nos primeiros seis meses de 2026 (2.423) praticamente se iguala a toda a demanda atendida ao longo de 2025 (2.449 implantes). O histórico da cidade demonstra o salto da cobertura desde a implantação local: foram 34 inserções em 2022, 438 em 2023 e 1.299 em 2024.

Cuidados médicos e formas de acesso

A coordenadora da área da Saúde da Mulher de Campinas, Miriam Nobrega, ressalta que "ao ampliar o acesso, a rede permite que cada mulher escolha, com orientação, o método que melhor combina com a sua vida".

Apesar das vantagens do Implanon, a ginecologista Ana Paula Noronha alerta que a indicação deve ser individualizada. Por se tratar de um contraceptivo hormonal à base de progesterona, os efeitos podem variar em cada organismo, sendo indispensável a avaliação médica prévia no posto de saúde para analisar benefícios e possíveis efeitos colaterais.

Além do implante subdérmico, o SUS oferece outras opções de planejamento familiar, como DIUs de cobre e hormonal, anticoncepcionais orais e injetáveis, preservativos, laqueadura e vasectomia. Para receber orientação e passar por consulta, as moradoras devem procurar o Centro de Saúde mais próximo.

Com informações da Prefeitura de Campinas