Campinas forma pessoas em situação de rua e já consegue mais de 30% de emprego
A Casa da Cidadania alia acolhimento, capacitação e apoio até depois da contratação
A Casa da Cidadania, em Campinas, tem se tornado uma porta de entrada para pessoas em situação de rua que buscam recomeçar a vida. Em 2025, 75 participantes concluíram cursos profissionalizantes oferecidos no espaço e mais de 30% já foram contratados com carteira assinada.
O serviço é administrado pelo Instituto Há Esperança, em parceria com a Prefeitura, e combina atendimento social com formação para o mercado de trabalho. Antes de iniciar as oficinas, os participantes recebem acolhimento, alimentação, banho, corte de cabelo e apoio na organização de documentos.
Cursos feitos sob medida para cada pessoa
Os cursos duram um trimestre e são definidos a partir de conversas individuais com os acolhidos, para entender a trajetória profissional de cada um. Há turmas de elétrica predial, confeitaria, barbearia e informática, entre outras áreas, de acordo com a demanda e o perfil de quem chega ao serviço.
Segundo o Instituto, a ideia é valorizar experiências anteriores e também abrir caminho para quem nunca trabalhou na função desejada. As aulas são ministradas por profissionais contratados e voluntários, e a formação inclui preparo para entrevistas, convivência em equipe e exigências básicas das vagas.
Rede pública, empresas e acompanhamento após a contratação
Depois do cadastro, o atendimento é integrado à rede pública socioassistencial do município. O encaminhamento para emprego pode acontecer rapidamente, desde que a pessoa tenha documentos, escolaridade compatível e esteja apta para a vaga.
O Instituto também passou a aproximar empresas da região, ampliando as oportunidades de contratação. Entre as parceiras estão Unicon, WKM, Atlântica e Higiplan, que já empregou parte dos formandos.
O suporte continua após a contratação. Em alguns casos, a organização ajuda com moradia temporária, alugando imóvel, pagando os primeiros meses e mobiliando o espaço até que o trabalhador consiga sustentar o custo com o próprio salário.
Mais do que vaga, reconstrução de vínculos
Para a equipe do projeto, a maior dificuldade não é apenas conseguir trabalho, mas garantir a adaptação à rotina, regras e convivência do ambiente profissional. Nem todos conseguem permanecer de primeira, e o processo pode exigir novas tentativas.
Além da Casa da Cidadania, o Instituto Há Esperança atua em um albergue, em uma casa de passagem, em um serviço para crianças no Parque Oziel e em uma escola de empreendedorismo voltada a mulheres. A rede de atendimento, segundo a Prefeitura, depende da articulação entre assistência social, saúde, trabalho e outras políticas públicas.
Quem quiser acionar atendimento para uma pessoa em situação de rua em Campinas pode ligar para o 156. Doações e voluntariado também podem ser feitos diretamente ao Instituto Há Esperança.