Saúde de Campinas e PUC lançam programa para enfrentamento das mudanças climáticas
Iniciativa une rede pública e universidade para atuar em territórios vulneráveis e fortalecer a resposta do SUS
A Secretaria de Saúde de Campinas e a PUC-Campinas lançaram o PET-Saúde: Clima, iniciativa voltada à formação de profissionais para lidar com emergências climáticas e ambientais. O programa busca aproximar ensino e serviço público para fortalecer a resposta do município aos impactos das mudanças climáticas.
Entre os focos do projeto estão a identificação de territórios mais vulneráveis, a proteção de grupos em maior risco e a construção de soluções práticas para reduzir danos à saúde da população. A proposta também reforça o papel do SUS em um cenário de eventos extremos cada vez mais frequentes.
Quais são as frentes de atuação
As atividades do PET-Saúde: Clima foram organizadas em três eixos estratégicos: produção do cuidado e vigilância em saúde, acesso à atenção especializada e inovação com comunicação em saúde. Cada frente foi pensada para responder aos efeitos diretos e indiretos do clima sobre a saúde pública.
O programa prevê ações no território, estratégias para otimizar o fluxo de atendimento em crises ambientais e desenvolvimento de tecnologias sociais para proteção da comunidade. A orientação geral é a equidade em saúde, com atenção especial às populações mais vulneráveis.
Onde o projeto já começou
As ações serão desenvolvidas em áreas consideradas mais expostas aos impactos climáticos, nos Centros de Saúde Sirius Cosmos, Vicente Pisani, Bassoli, Campina Grande e Valença. Nesses locais, foram criados Grupos de Aprendizagem Tutorial, reunindo profissionais das unidades, professores e estudantes da PUC-Campinas.
Participam da iniciativa cursos de Nutrição, Engenharia de Alimentos, Engenharia Ambiental e Sanitária, Medicina, Odontologia e Terapia Ocupacional. Os grupos já estão em formação e capacitação para desenvolver atividades voltadas à comunidade.
Resposta aos desafios climáticos
Segundo a Secretaria de Saúde, o projeto fortalece o SUS no município, estimula a produção de conhecimento científico e contribui para uma cidade mais resiliente e sustentável. A expectativa é ampliar a capacidade de resposta diante de ondas de calor, enchentes, secas e doenças associadas ao ambiente.
O médico sanitarista Carlos Eduardo Cantúsio Abrahão destacou que o tema é global e impacta a saúde em diferentes dimensões. Ele citou situações como leptospirose após enchentes, proliferação de mosquitos em períodos de calor e até reflexos do clima sobre saúde mental e ambiente de trabalho.