Com Lula e Alckmin, pesquisadores da Unicamp discutem rumos da IA e soberania digital

Docentes do Instituto de Computação integraram comitiva de especialistas em debate de três horas com o presidente, vice, ministros e lideranças do setor privado

Por Moara Semeghini - Campinas

Anderson Rocha e Edson Borin com Lula, Geraldo Alckmin e especialistas

Os pesquisadores Anderson Rocha, coordenador do Recod.ai, considerado um dos maiores laboratórios de Inteligência Artificial da América Latina; e Edson Borin, coordenador de linha de pesquisa do Hub de IA e Arquiteturas Cognitivas (H.IAAC), ambos do Instituto de Computação da Unicamp, participaram de uma reunião no Palácio do Planalto na última terça-feira (11) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo do encontro foi debater diretrizes nacionais para o avanço da inteligência artificial (IA) e a consolidação da soberania digital no Brasil.

O encontro reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além de especialistas e representantes do setor privado. A pauta principal foi o desenvolvimento de uma infraestrutura própria de dados e segurança tecnológica no país, momento em que Lula destacou que a reunião marca o início definitivo da inserção do Brasil na era da inteligência artificial.

Reconhecidos internacionalmente na área, os docentes da Unicamp defenderam que o Brasil precisa deixar de ser mero consumidor de tecnologias estrangeiras para construir soluções alinhadas às suas próprias demandas, tratando a inteligência artificial não apenas como ferramenta, mas como recurso estratégico de desenvolvimento nacional.

Durante três horas de discussões, os participantes defenderam que o Brasil estabeleça diretrizes próprias de infraestrutura, processamento de dados e segurança da informação. A proposta central é reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, posicionando o país como desenvolvedor de soluções alinhadas aos seus próprios interesses estratégicos, em vez de mero consumidor de plataformas internacionais. A meta estabelecida não é rivalizar diretamente com potências como Estados Unidos e China, mas construir autonomia tecnológica direcionada às demandas locais.

Outro ponto destacado no encontro foi a visão da inteligência artificial não apenas como um instrumento operacional, mas como um vetor estratégico para o desenvolvimento socioeconômico. Nesse sentido, defendeu-se a retenção e o processamento de dados em território nacional, viabilizando o compartilhamento seguro de informações com o setor público para integração entre os ministérios. Sobre o ponto, o presidente Lula ressaltou a importância da gestão do conhecimento: “Quem tem mais inteligência vira mais dono do pedaço do que o Estado que é dono de tudo”, afirmou.

No campo da infraestrutura, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o país possui vantagens competitivas decisivas para abrigar ecossistemas de alta tecnologia. “O grande limitador da IA no mundo é a falta de energia e o Brasil tem energia abundante, renovável, energia limpa, além de terras raras, um insumo fundamental”, lembrou Alckmin.

Apesar da matriz energética favorável, o presidente Lula ponderou sobre a necessidade de expandir os aportes financeiros em pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação. Ao avaliar o impacto do debate, o presidente sinalizou a prioridade do tema na agenda governamental. “Esta reunião de hoje que vocês participaram é o começo definitivo de que nós vamos entrar na era da IA, não tem mais volta”, concluiu.

A reunião envolveu gestores e especialistas das áreas econômica, científica, energética e de segurança pública, articulando o conhecimento gerado pelas universidades, a capacidade de execução do mercado e a formulação de políticas públicas pelo Governo Federal.