Mariana Conti envia vídeos sobre reuniões de Vini ao MP

Por Por Raquel Valli

Vereadora disponibilizou provas às autoridades e exige investigação

A vereadora Mariana Conti (PSol-SP) encaminhou nesta quinta-feira (6) ao Ministério Público (MP), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e à Comissão Processante (CP) da Câmara de Campinas mais de uma hora de gravações de reuniões entre o vereador Vini Oliveira (Cidadania-SP) e empresários do transporte coletivo.

“É inegável a seriedade das gravações. Vini esteve na empresa diversas vezes e teve conversas evidentemente indecorosas com empresários ligados a uma licitação bilionária. Há indícios graves de tráfico de influência, de negociação de atuação em prol dos empresários em troca de financiamento para suas campanhas. Mais do que nunca, a Câmara precisa dar uma resposta à sociedade e cassar o mandato do Vini. Os demais órgãos que já apuram irregularidades devem contar com essas mídias para avançar nas investigações”, afirma.

O material foi entregue à parlamentar e à Presidência da Câmara na quarta-feira (5) por representantes legais do Correio Popular, que estavam em posse dos vídeos. A denunciante já vinha solicitando formalmente que a Comissão Processante requeresse acesso ao material à imprensa.

“Desde o começo da CP, destaco a importância de que a Câmara tenha acesso aos vídeos, porque entendo que isso é central para o bom andamento da investigação. Agora que temos acesso, eles precisam ser integrados aos autos. Também estamos disponibilizando todo o conteúdo a que tivemos acesso ao público, porque toda a população tem o direito de saber o que foi dito naquela sala de reuniões”, completa.

Em resposta, Vini Oliveira divulgou vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (6), no qual negou ter cometido qualquer irregularidade. Afirmou que as gravações não apresentam fatos novos e disse que adversários políticos tentam utilizar o caso para prejudicar o mandato e a pré-candidatura dele a deputado estadual. "Estão procurando algo que não existe para me incriminar. Isso é um tremendo absurdo", declarou.

Também afirmou que o Ministério Público já possui a íntegra das gravações e voltou a citar a manifestação do perito Ricardo Molina, assistente técnico da defesa

Segundo Molina, os trechos divulgados pela imprensa teriam sido editados e não poderiam ser analisados sem acesso aos arquivos originais. 

Transtorno

O Correio Popular disponibilizou ao Legislativo as gravações. "Nós aconselhamos a direção do jornal a entregar essas mídias, desde que respeitado o sigilo de fonte, que tem garantia constitucional. Mas, nesse interim entre a solicitação, definição da entrega e a entrega propriamente dita, a Comissão Processante definiu que não queria mais essas mídias", informa o advogado Pedro Maciel. 

"Mas, a direção do jornal, movida pelo dever de contribuição pra sociedade, resolveu fornecer de qualquer maneira esse conteúdo pra que, a Comissão fizesse uso dele como quisesse. A tragédia foi que eu fui à Câmara e fui proibido de protocolar. Proibido. Isso é um absurdo, porque o direito de peticionar, junto às repartições públicas, é um direito constitucional. Então não é pouco isso. Eu tenho quase 40 anos de advocacia e nunca, em 40 anos, uma repartição pública obstou um protocolo", complementa. 

"Saí de lá, liguei para o presidente da Câmara, que prontamente se indignou... o Sr. Rossini foi de uma presteza absurda, pediu que nós levássemos o material até a Presidência e nos recepcionou", conclui Maciel. Com o recebimento, o material ficou sob posse do Poder Legislativo.

Trâmite

A Comissão Processante já encerrou a fase de instrução. Nenhuma das seis testemunhas indicadas por Conti compareceu para depor, enquanto a defesa desistiu de ouvir as testemunhas que havia arrolado. O único ouvido foi Molina, por videoconferência.

A CP investiga uma reunião em que Vini aparece com representantes da Smile Transportes e outro registro em que deixa o imóvel carregando um malote suspeito. O  vereador nega ter recebido dinheiro ou qualquer vantagem indevida e afirma que a caixa continha documentos e mídias relacionados a denúncias sobre o transporte público.