Vigilância Sanitária interdita equipamento de esterilização do Mário Gattinho
A Vigilância Sanitária de Campinas interditou o equipamento de termodesinfecção da Central de Material e Esterilização (CME) da Unidade Pediátrica Mário Gattinho após um laudo identificar que a água purificada utilizada no processo apresentava parâmetros microbiológicos acima dos limites estabelecidos pela legislação. A decisão foi publicada no Diário Oficial na segunda-feira (13).
Segundo o Departamento de Vigilância em Saúde, a interdição foi motivada por um laudo emitido em 10 de junho, que apontou contagem de bactérias heterotróficas acima do permitido pela Farmacopeia Brasileira, em sua 7ª edição. A irregularidade foi constatada durante inspeção sanitária, que resultou na lavratura de auto de infração e na imposição da interdição do equipamento.
De acordo com a publicação oficial, a Central de Material e Esterilização permaneceu em funcionamento mesmo após a emissão do laudo indicando a não conformidade da água purificada utilizada no equipamento. O estabelecimento ainda poderá apresentar recurso administrativo contra o auto de imposição de penalidade no prazo de dez dias.
Apesar da interdição, a Rede Municipal Dr. Mário Gatti informou que não houve interrupção de atendimentos nem prejuízo à realização de procedimentos na unidade pediátrica. Desde 1º de julho, quando a Vigilância Sanitária comunicou o resultado do laudo, todo o processamento de materiais esterilizáveis passou a ser realizado na Central de Material e Esterilização do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.
Segundo a rede hospitalar, a estrutura do hospital tem capacidade para absorver toda a demanda do Mário Gattinho sem comprometer a assistência aos pacientes. A direção também afirmou que o equipamento interditado permanecerá fora de operação até a conclusão dos reparos, realização de novos testes e autorização formal da Vigilância Sanitária para retomada do uso.
Em nota, a Rede Mário Gatti destacou ainda que não foram registrados casos de infecção hospitalar ou qualquer evento adverso relacionado à situação. Conforme explicou, as bactérias heterotróficas são microrganismos encontrados naturalmente em diferentes ambientes, incluindo sistemas de abastecimento de água. O monitoramento realizado pela Vigilância Sanitária tem justamente a finalidade de verificar se a concentração desses organismos permanece dentro dos padrões exigidos para garantir a segurança dos processos de esterilização.
A autarquia informou que apresentou à Vigilância Sanitária um plano de contingência contendo as medidas emergenciais adotadas e um cronograma para correção do problema. O documento foi aprovado pelo órgão fiscalizador, que autorizou a continuidade das atividades mediante a utilização da CME do Hospital Mário Gatti até que seja emitido um novo laudo comprovando a regularidade da água purificada.
O deferimento do plano de contingência também foi publicado no Diário Oficial. O despacho estabelece que o equipamento permanecerá interditado até a obtenção de resultado satisfatório nos testes da água, a conclusão da manutenção e a liberação oficial da Vigilância Sanitária.
Ainda segundo a Rede Mário Gatti, a previsão é que os reparos sejam concluídos em aproximadamente 20 dias. A instituição ressaltou que não haverá aplicação de multa, uma vez que todas as determinações da Vigilância Sanitária foram atendidas e o plano apresentado foi considerado adequado pelo órgão de fiscalização.
A Central de Material e Esterilização é responsável pela limpeza, desinfecção, preparo e esterilização de instrumentos e materiais utilizados em procedimentos hospitalares, desempenhando papel fundamental na prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. Por esse motivo, a qualidade da água empregada no processo é um dos parâmetros monitorados pelas autoridades sanitárias.