Câmara aprova moção contra a demolição do Instituto Adolfo Lutz
A Câmara Municipal aprovou a moção da vereadora Fernanda Souto (PSol-SP) contra a transferência do Instituto Adolfo Lutz, que fica na Capital paulista. O governo do Estado de São Paulo pretende demolir a estrutura para a construção de um hospital em parceria com a iniciativa privada.
O instituto atua na vigilância em saúde, vigilância epidemiológica, controle de doenças, diagnósticos e exames laboratoriais de identificação de doenças infectocontagiosas.
Realiza exames para a identificação de casos de enfermidades como ebola e sarampo, além de orientar ações de prevenção, restrições de circulação e vigilância. Funciona como centro de pesquisa e campo de estágio para estudantes de pós-graduação. Mas, a demolição e remoção recebe críticas tanto de associações, quanto de sindicatos.
Os argumentos apontam que a transferência de material biológico exige estrutura para a segurança e que experimentos correm risco de inutilização, que a mudança compromete fluxos construídos ao longo de décadas e afeta a vigilância em saúde.
Desmonte
A vereadora de Campinas sustenta ainda que a medida integra "o projeto de desmonte de Tarcísio (Republicanos-SP), que extinguiu cargos no Adolfo Lutz, Butantan e Instituto Agronômico".
"É uma referência nacional. Sempre foi um instituto muito importante para saúde pública. Mas, infelizmente, tem sido sistematicamente desmontado, sucateado nos governos do PSDB, e, agora de forma mais aprofundada ainda no governo Tarcísio (Republicanos-SP), que além de estrangular o investimento, agora vem com essa ideia de transferir o Adolfo Lutz e demolir, inclusive, parte importante dessa estrutura, que é uma estrutura histórica, uma estrutura centenária para construir um hospital inteligente, mas que na verdade é uma parceria com a iniciativa privada", afirma a vereadora.
"A gente não é contra, de forma nenhuma, o investimento em inovação em saúde. É papel do Estado, que precisa pensar, projetar, planejar para o futuro, absorver e desenvolver tecnologias para melhoria da saúde da população, mas, é inacreditável que o único local possível em que se possa criar um novo hospital, um novo equipamento de saúde, dentro de toda a cidade de São Paulo, que é necessário, seja justamente ali no prédio do Adolfo Lutz", completa.
"É inacreditável que o único local possível em que se possa criar um novo hospital, dentro de toda a cidade de São Paulo, seja justamente ali no prédio do Adolfo Lutz", acrescenta.
O outro lado
Por meio de nota ao Correio da Manhã, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que, em novembro de 2025, foi firmado "um Acordo de Cooperação Técnica para desenvolver o Instituto Tecnológico de Emergência, projeto do primeiro hospital inteligente do país, sob administração do HC-FMUSP e custeio do Governo de São Paulo".
Pontua que "não definiu o local de implantação da unidade", que "o projeto está em fase de detalhamento técnico, e as alternativas seguem em análise pelas áreas responsáveis e pelas instituições envolvidas, considerando viabilidade operacional, estrutural, assistencial e orçamentária".
Em relação ao Instituto Adolfo Lutz, ressalta que "qualquer decisão será precedida de planejamento técnico, com preservação das atividades laboratoriais, de vigilância, pesquisa e referência", e que "o processo é conduzido em diálogo com as instituições envolvidas, com respeito ao patrimônio público e à continuidade dos serviços essenciais".