Campinas discute impactos do Trem Intercidades no desenvolvimento regional

Reunião regional debateu mobilidade, habitação e planejamento urbano diante da chegada do TIC/TIM Norte

Por Redação

O Trem Intercidades/Intermetropolitano deverá impulsionar investimentos privados, estimular a valorização imobiliária, fortalecer novas centralidades urbanas, ampliar a oferta de empregos e transformar áreas estratégicas ao longo do eixo ferroviário

Campinas sediou, nesta quinta-feira, 2 de julho, a primeira reunião regional para tratar dos impactos da implantação do Trem Intercidades/Intermetropolitano (TIC/TIM Norte). O encontro foi promovido pelo Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas (RMC) e reuniu representantes das regiões metropolitanas de Campinas, Jundiaí e São Paulo.

A proposta é alinhar ações de planejamento urbano e desenvolvimento para as cidades que serão influenciadas pelo novo sistema ferroviário. Além de encurtar o tempo de deslocamento entre os municípios, o projeto deve estimular investimentos privados, valorizar áreas estratégicas, fortalecer novas centralidades urbanas e ampliar a oferta de empregos.

Planejamento urbano e habitação entram no centro do debate

O prefeito de Campinas e presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC, Dário Saadi, afirmou que a implantação do Trem Intercidades exige atuação integrada entre os municípios. Segundo ele, o projeto cria uma nova opção de transporte entre as regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo, mas também abre oportunidades de desenvolvimento que vão impactar diretamente a qualidade de vida da população.

Saadi destacou ainda a necessidade de preparar as cidades para os efeitos do empreendimento, com revisão da legislação de uso e ocupação do solo, ações de estímulo a novos investimentos e medidas voltadas à política habitacional. Para ele, o trem trará desafios, mas também um importante potencial de transformação urbana e econômica.

Centros urbanos podem ganhar nova dinâmica

O subsecretário de Desenvolvimento Urbano do Estado de São Paulo, José Police Neto, reforçou que uma das principais oportunidades do TIC será a reconfiguração das regiões centrais. Com mais passageiros circulando diariamente, os centros urbanos tendem a ganhar movimento, atividade econômica e vitalidade, o que depende também de políticas de habitação.

Durante o encontro, Neto apresentou a Plataforma Indutora de Políticas Habitacionais, apelidada de “Tinder da Moradia Sustentável”. A ferramenta vai funcionar como um banco de dados para apoiar gestores públicos na formulação de políticas habitacionais mais eficientes, cruzando informações sobre áreas, imóveis disponíveis e demandas da população.

Próximos passos do projeto ferroviário

O próximo desafio é formalizar, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica, a participação dos 11 municípios diretamente impactados pelo Trem Intercidades. São eles: São Paulo, Caieiras, Francisco Morato, Franco da Rocha, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas.

Em uma etapa posterior, a proposta deve ser ampliada para outras 20 cidades impactadas indiretamente, formando um centro de ciência de dados urbanos para subsidiar políticas públicas de moradia e planejamento. O Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte vai ligar a Capital a Campinas por 101 quilômetros, com trajeto expresso entre Barra Funda, Jundiaí e Campinas em 64 minutos. Já o Trem Intermetropolitano (TIM) ligará Jundiaí a Campinas em 44 quilômetros e 33 minutos de viagem.