Correio da Manhã
Campinas

Cão frentista de Campinas, foi morto por cadelas mantidas acorrentadas na Patagônia, diz tutor

Caso expõe o perigo e os graves danos psicológicos do confinamento contínuo: manter animais presos gera frustração extrema e agressividade, transformando-os em "indomáveis como lobos"

Cão frentista de Campinas, foi morto por cadelas mantidas acorrentadas na Patagônia, diz tutor
Poze, 'cão frentista' de Campinas, foi morto por cadelas mantidas acorrentadas na Patagônia argentina Crédito: Reprodução/@matueofrentista

Dias após anunciar a perda de Poze, o cão frentista de Campinas (SP) que conquistou a internet, o tutor Giovanni Fernandes veio a público nas redes sociais para revelar a verdade sobre o caso. O animal não se perdeu na Patagônia argentina: Poze foi atacado e morto por cadelas de uma propriedade vizinha ao acampamento onde a família estava.

Segundo Giovanni, os animais eram mantidos permanentemente acorrentados por um morador local, que ocultou o corpo do animai e tentou enganar a família que realizava buscas pelo cão. A revelação chocou os seguidores e trouxe à tona um alerta grave sobre como os maus-tratos e o confinamento afetam o comportamento animal.

Macaque in the trees
Poze, 'cão frentista' de Campinas, foi morto por cadelas mantidas acorrentadas na Patagônia argentina, revela tutor | Foto: Reprodução/@matueofrentista

Maus-tratos e agressividade

Manter um cão acorrentado ou preso em espaços reduzidos não o transforma em um cão de guarda. pelo contrário, a prática é considerada maus-tratos e causa danos psicológicos e comportamentais irreversíveis ao animal.

Segundo o médico-veterinário Paulo Sérgio Jorge, a privação de socialização, de exercícios físicos e de afeto gera um quadro severo de ansiedade e frustração no pet.

"Cães mantidos permanentemente acorrentados ou em confinamento acabam desenvolvendo alterações comportamentais graves. Isso não favorece em nada que ele se torne um cão de guarda; muito pelo contrário, causa um dano psicológico enorme que gera risco para todas as pessoas e outros animais do ambiente", explica o veterinário.

O especialista alerta que a reatividade desses animais pode atingir níveis extremos: "O cão não vai promover a defesa do espaço externo; ele vai ser reativo e agressivo com quem está perto e, com outros animais, a situação piora muito. Ocorrem ataques com comportamento de selvageria e brutalidade. Os lobos não são domados, são indomáveis. O confinamento contínuo basicamente transforma o cachorro em um animal com as mesmas características de um lobo indomável", afirma Paulo Jorge.

A farsa, a confissão e a ocultação do corpo

Em relato emocionado, Giovanni contou que o ataque aconteceu na noite do dia 12 de julho, no Camping Imperador do Montanhês, em Wharton/El Bolsón. A área era cercada e os cães da família estavam soltos. Por volta das 20h30, ao chamar os animais para o trailer, perceberam que Poze não havia voltado. A partir dali, teve início uma semana de desespero.

Macaque in the trees
O cão frentista Poze adotado em um posto de combustíveis em Campinas | Foto: Reprodução/@matueofrentista

Na mesma noite, moradoras de um hostel vizinho disseram ter ouvido barulhos de briga de cães vindos do camping da frente. O tutor e a namorada foram até o local para questionar o responsável e viram o homem saindo de carro apressadamente, que negou ter visto o cão. Ele retornou cerca de 20 minutos depois, tempo que a família acredita ter sido usado para ocultar o corpo de Poze.

Histórico de ataques

Moradores locais revelaram que o homem mantinha cães muito bravos acorrentados o dia todo e os soltava à noite. Os animais já teriam matado outros cães e gatos na região, mas ninguém denunciava por medo.

A farsa ruiu na véspera de um grande mutirão de buscas. Após a namorada de Giovanni fazer um apelo ao homem, ele foi até uma conveniência local e confessou à atendente que suas cadelas haviam matado Poze e que "eles nunca encontrariam o corpo".

A testemunha alertou os tutores, que acionaram a polícia. Diante dos agentes, o homem admitiu o ataque dos seus animais, mas recusou-se a dizer onde escondeu o corpo de Poze. O homem chegou a ameaçar a família com uma arma de fogo.

"O que mais dói não é só a perda, é saber que tiraram da gente o nosso direito de tentar salvar ele, de viver o nosso luto enterrando o nosso cachorro. Pra mim ele não era só um cachorro, ele era meu filho", desabafou Giovanni.

O tutor rebateu as críticas de quem tentou culpar o fato de Poze estar solto dentro do camping: "O Poze estar solto não torna aceitável que outra pessoa mantenha cães comprovadamente perigosos presos dentro de uma corrente em condições inadequadas e soltos durante a noite. Não torna aceitável ocultar de uma família onde está o corpo e muito menos ameaçar pessoas."

A família registrou uma denúncia formal na delegacia argentina e prometeu continuar lutando por justiça, para que a tragédia com Poze sirva de exemplo contra a crueldade e os maus-tratos animais.

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Poze, 'cão frentista' de Campinas, foi morto por cadelas mantidas acorrentadas na Patagônia argentina, revela tutor | Foto: Reprodução/@matueofrentista