Dias após anunciar a perda de Poze, o cão frentista de Campinas (SP) que conquistou a internet, o tutor Giovanni Fernandes veio a público nas redes sociais para revelar a verdade sobre o caso. O animal não se perdeu na Patagônia argentina: Poze foi atacado e morto por cadelas de uma propriedade vizinha ao acampamento onde a família estava.
Segundo Giovanni, os animais eram mantidos permanentemente acorrentados por um morador local, que ocultou o corpo do animai e tentou enganar a família que realizava buscas pelo cão. A revelação chocou os seguidores e trouxe à tona um alerta grave sobre como os maus-tratos e o confinamento afetam o comportamento animal.
Maus-tratos e agressividade
Manter um cão acorrentado ou preso em espaços reduzidos não o transforma em um cão de guarda. pelo contrário, a prática é considerada maus-tratos e causa danos psicológicos e comportamentais irreversíveis ao animal.
Segundo o médico-veterinário Paulo Sérgio Jorge, a privação de socialização, de exercícios físicos e de afeto gera um quadro severo de ansiedade e frustração no pet.
"Cães mantidos permanentemente acorrentados ou em confinamento acabam desenvolvendo alterações comportamentais graves. Isso não favorece em nada que ele se torne um cão de guarda; muito pelo contrário, causa um dano psicológico enorme que gera risco para todas as pessoas e outros animais do ambiente", explica o veterinário.
O especialista alerta que a reatividade desses animais pode atingir níveis extremos: "O cão não vai promover a defesa do espaço externo; ele vai ser reativo e agressivo com quem está perto e, com outros animais, a situação piora muito. Ocorrem ataques com comportamento de selvageria e brutalidade. Os lobos não são domados, são indomáveis. O confinamento contínuo basicamente transforma o cachorro em um animal com as mesmas características de um lobo indomável", afirma Paulo Jorge.
A farsa, a confissão e a ocultação do corpo
Em relato emocionado, Giovanni contou que o ataque aconteceu na noite do dia 12 de julho, no Camping Imperador do Montanhês, em Wharton/El Bolsón. A área era cercada e os cães da família estavam soltos. Por volta das 20h30, ao chamar os animais para o trailer, perceberam que Poze não havia voltado. A partir dali, teve início uma semana de desespero.
Na mesma noite, moradoras de um hostel vizinho disseram ter ouvido barulhos de briga de cães vindos do camping da frente. O tutor e a namorada foram até o local para questionar o responsável e viram o homem saindo de carro apressadamente, que negou ter visto o cão. Ele retornou cerca de 20 minutos depois, tempo que a família acredita ter sido usado para ocultar o corpo de Poze.
Histórico de ataques
Moradores locais revelaram que o homem mantinha cães muito bravos acorrentados o dia todo e os soltava à noite. Os animais já teriam matado outros cães e gatos na região, mas ninguém denunciava por medo.
A farsa ruiu na véspera de um grande mutirão de buscas. Após a namorada de Giovanni fazer um apelo ao homem, ele foi até uma conveniência local e confessou à atendente que suas cadelas haviam matado Poze e que "eles nunca encontrariam o corpo".
A testemunha alertou os tutores, que acionaram a polícia. Diante dos agentes, o homem admitiu o ataque dos seus animais, mas recusou-se a dizer onde escondeu o corpo de Poze. O homem chegou a ameaçar a família com uma arma de fogo.
"O que mais dói não é só a perda, é saber que tiraram da gente o nosso direito de tentar salvar ele, de viver o nosso luto enterrando o nosso cachorro. Pra mim ele não era só um cachorro, ele era meu filho", desabafou Giovanni.
O tutor rebateu as críticas de quem tentou culpar o fato de Poze estar solto dentro do camping: "O Poze estar solto não torna aceitável que outra pessoa mantenha cães comprovadamente perigosos presos dentro de uma corrente em condições inadequadas e soltos durante a noite. Não torna aceitável ocultar de uma família onde está o corpo e muito menos ameaçar pessoas."
A família registrou uma denúncia formal na delegacia argentina e prometeu continuar lutando por justiça, para que a tragédia com Poze sirva de exemplo contra a crueldade e os maus-tratos animais.
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