Vereadoras de Campinas não são recebidas na prefeitura durante manifestação de guardas municipais
Três autoridades de Campinas, as vereadoras Fernanda Souto (PSol), Guida Calixto e Mariana Conti (ambas do PT-SP), não foram recebidas pelo prefeito Dário Saadi (Republicanos-SP), nem tampouco pelo vice-prefeito Wanderley de Almeida, o Wandão (PSB-SP), nesta sexta-feira (26) ao buscarem diálogo com os representantes do Poder Executivo sobre a situação dos guardas municipais, que fizeram um protesto pacífico em frente ao Palácio dos Jequitibás (leia sobre as reivindicações abaixo).
Procurada pelo Correio da Manhã, a prefeitura respondeu que “a Secretaria de Segurança de Campinas reitera que a categoria optou por continuar a manifestação, interrompendo assim as tratativas que estavam em andamento”.
Já Conti afirma que, “na verdade, não houve tratativa até agora, e a manifestação acontece exatamente porque a prefeitura se recusa a negociar. Por isso, fomos até a prefeitura hoje, para pedir a abertura da negociação. A manifestação é exatamente isso. Então, essa resposta da prefeitura não tem cabimento: é uma forma de enrolar os guardas, que já estão há anos esperando”.
Apontou ainda que os agentes municipais aguardam a definição sobre o adicional por risco de vida, que está sob análise judicial e cuja suspensão pode gerar redução de 40% a 45% nos salários. A categoria reivindica que a prefeitura incorpore o adicional aos vencimentos antes da decisão judicial, que pode vir a ser desfavorável para a tropa.
“O que eles querem é que não se espere, que a prefeitura não espere essa situação de crise, que é uma crise para os guardas municipais, mas para a cidade também, porque significaria uma crise na segurança pública. A prefeitura está atrasada. Já poderia ter feito isso”, acrescenta a vereadora.
A comissão independente, criada pelos GMs, aponta que “o grande problema é que nunca houve nenhuma tratativa”, e que “são 15 anos tentando fazer o plano de carreira funcionar”.
O colegiado acrescenta ainda: “o vice-prefeito nos deu a palavra dele de que seria dado andamento neste ano, mas quando chegou o momento, não cumpriu o compromisso”, evocando a promessa de Wandão gravada em um vídeo, que voltou a circular nas redes sociais.
A guarda Maricéia Salles Corrêa denunciou a ocorrência de assédio e retaliações internas na corporação com o intuito de impedir a participação dos servidores no movimento. Defendeu a legitimidade da mobilização pelos direitos da categoria, que conta com um efetivo de 738 guardas municipais, e criticou a ausência de recepção por parte da administração municipal.
“O movimento é legítimo. Nós estamos aqui pleiteando aquilo que é de direito nosso. Não estamos pedindo nada além daquilo que a gente tem por direito. E a gente não pode aceitar esse tipo de retaliação, esse tipo de ameaça”, declara.
A vereadora Guida Calixto reiterou que a mobilização é motivada pelo risco de perda de 45% dos salários devido à ausência de votação de um plano de cargos e carreiras. “Infelizmente, a Administração (municipal) não quer dialogar com os guardas, e a gente lamenta uma cidade como a nossa”.
Reivindicações
Abrangem a incorporação do adicional de risco de vida; a implantação do plano de cargos; o reajuste salarial de 20% — índice de defasagem indicado por levantamento da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas); e a mediação do prefeito com a Polícia Federal para garantir o porte de arma aos guardas da reserva.