O exemplo de Itamar Franco

Por Paulo César de Oliveira*

As acusações contra o senador Jaques Wagner, petista histórico, não são novidade na política brasileira. Verdadeiras ou falsas denúncias contra figuras de expressão, de situação e de oposição, surgem e, queiram ou não, deixam marcas e suspeitas que precisam ser apuradas. O acusado, por mais absurda que seja a denúncia precisa provar sua improcedência. E o melhor a fazer é se afastar do cargo ou função que exerça no governo ou no grupo político, seja para provar sua inocência ou admitir sua culpa.

Em casos assim, o acusado de atos de práticas ilegais precisa entender que o outro lado político, a oposição, não tem interesse direto na sua punição. Quer usar a acusação contra ele para atingir o seu grupo, ainda mais se o grupo no poder. E mais ainda se já estiver enfrentando acusações semelhantes por práticas de um de seus membros. Afastar para apurar e, nada havendo, reconduzir o acusado ao cargo. Esta é a atitude correta, ensinada pelo saudoso presidente Itamar Franco. Já se vão alguns anos da lição, mas a atitude correta é atemporal.

Itamar Franco era o presidente e assumiu depois que Fernando Collor foi "impinchado". O então ministro da Casa Civil, Henrique Hargreaves - que era amigo pessoal de Itamar - foi acusado de alguma irregularidade que não ficou bem para o governo e ele disse a Itamar que não era verdade. No entanto Itamar fez que deixasse o cargo e mandou que se justificasse e não sendo verdade retornaria ao ministério. Hargreaves saiu em campo e mostrou a Itamar, comprovadamente, que as acusações eram falsas. Itamar o renomeou para ministro da Casa Civil.

Afora, o senador Jacques Wagner - amigo pessoal de Lula - líder do governo no Senado está sendo acusado de envolvimento com Vorcaro. Para não deixar mal o governo e o seu amigo Lula, deve deixar a liderança do governo e provar que não são verdadeiras as acusações.

Tudo isto a oposição já está usando para atrapalhar o governo. A oposição precisa de alguém para acusar de envolvimento em corrupção do Master para minimizar as acusações- que muitos consideram já provadas - contra Flávio Bolsonaro.

Apurar a verdade é obrigação do governo. Provar inocência - se é mesmo - é a obrigação de Jaques. Apenas se apresentar como vestal da moralidade não adianta nada.

*Jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil