No Dia Mundial do Meio Ambiente, manifestantes protestam contra política ambiental de Campinas

Por Moara Semeghini - Campinas

No Dia Mundial do Meio Ambiente, manifestantes protestam contra política ambiental de Campinas

Coletivos, entidades, pesquisadores, estudantes e movimentos sociais participaram nesta quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, de um ato unificado em Campinas para cobrar mudanças nas políticas ambientais do município. A mobilização, organizada pelo Fórum Socioambiental de Campinas, reuniu representantes de diversas regiões da cidade e teve como pauta central a defesa da arborização urbana, das nascentes, dos parques públicos e o enfrentamento das mudanças climáticas. Em todo o evento circularam pro volta de 250 pessoas, segundo os organizadores.

A concentração ocorreu no Largo do Pará. De lá, os participantes seguiram em caminhada até o Largo do Rosário e encerraram a manifestação em frente à Prefeitura de Campinas, junto ao histórico jequitibá-rosa localizado no Paço Municipal.

Segundo os organizadores, o ato foi motivado pela preocupação com o aumento das supressões de árvores, podas consideradas excessivas por ambientalistas, a expansão urbana sobre áreas ambientalmente sensíveis e a falta de políticas públicas voltadas à adaptação climática.

O protesto ocorre em meio a uma série de controvérsias envolvendo a gestão ambiental da cidade. Nas últimas semanas, o corte de árvores na Praça do Coco, em Barão Geraldo, gerou forte repercussão, protestos de moradores e questionamentos de especialistas ligados ao Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema), à USP, à Unicamp e à Unesp.

Laudos independentes elaborados por pesquisadores e engenheiros apontaram que as árvores removidas apresentavam condições de preservação. A divergência técnica levou o Ministério Público a determinar, em maio, a suspensão da retirada da árvore remanescente da praça até a realização de novas análises.

Para os participantes da manifestação, o episódio da Praça do Coco representa apenas um dos exemplos de um modelo de gestão ambiental considerado inadequado diante dos desafios climáticos enfrentados pela cidade.

José Hamilton de Aguirre Júnior, engenheiro florestal, agrônomo, mestre em Arborização Urbana pela USP e membro do Comdema, afirmou que o ato reuniu diversos coletivos socioambientais de Campinas, entre eles representantes do Campo Grande, Jardim Bassoli, Brigadas Ambientais, ciclistas, Movimento Resgate o Cambuí, Jardim do Vovô, Serra dos Cocais, Unicamp e Apeoesp.

Segundo ele, o protesto teve como principal objetivo demonstrar insatisfação com a condução das políticas ambientais no município.

"O enfoque foi o posicionamento contrário à atuação que vem sendo realizada pela Prefeitura de Campinas, pela MB Engenharia e pela CPFL na gestão ambiental da cidade", afirmou.

De acordo com o engenheiro, os participantes criticam o que consideram uma política de supressão e poda excessiva da arborização urbana, além da falta de conservação de nascentes, margens de rios e áreas verdes.

"Os manifestantes entendem que há supressão e poda desenfreada e sem critérios técnicos da arborização de vias públicas, problemas na gestão dos parques e praças, expansão urbana sobre áreas ambientalmente sensíveis e deficiência na política de reciclagem, tratamento de resíduos e despoluição de áreas degradadas", disse.

Outro ponto levantado durante o ato foi a necessidade de ampliar ações de adaptação às mudanças climáticas.

Segundo José Hamilton, a cidade ainda carece de políticas voltadas ao plantio de árvores em vias públicas e à recuperação de áreas verdes estratégicas para reduzir os efeitos das ilhas de calor.

"É um protesto de alerta sobre uma política que desconsidera a mudança climática como realidade e que pouco tem contribuído para mudar esse cenário. Não há plantios de árvores em vias públicas capazes de sombrear o asfalto, que é um dos principais acumuladores de calor, nem recuperação adequada de margens de rios e nascentes", afirmou.

Os organizadores também lembraram que neste ano completam-se dez anos da microexplosão atmosférica que atingiu Campinas em 2016 e alertaram para a necessidade de preparação da cidade diante da possibilidade de eventos climáticos extremos nos próximos anos.

Entre as reivindicações apresentadas durante o ato estão a ampliação da arborização urbana, proteção das nascentes, fortalecimento dos ecopontos, apoio às brigadas populares de combate a incêndios e a adoção de políticas de justiça climática voltadas às regiões mais vulneráveis da cidade.