Corpus Christi: significado, origem e programação em Campinas (SP)

Por Por Raquel Valli

Solenidade de Corpus Christi na Catedral da Sé, presidida pelo Cardeal Odilo Scherer, em 2025

Corpus Christi (corpo de Cristo, em latim) é a festa católica em que a Igreja comemora a Eucaristia (presença de Jesus na hóstia). Trata-se do único momento do ano em que o Santíssimo Sacramento percorre as ruas. Tapetes de flores são feitos para a passagem do Senhor, que, para a Igreja, não está representado, mas presente no pão, como alimento e remédio para a alma. O Vaticano apregoa que a Eucaristia é o centro da vida cristã, concentrando o tesouro espiritual da instituição, que é Cristo. 

Na celebração, a Quinta-Feira Santa é retomada. Isso porque a procissão repete o deslocamento do Cenáculo para o Monte das Oliveiras, onde, de acordo com Roma, Jesus se entregou, vencendo as trevas e transformando sua carne em pão de vida. 

Entretanto, enquanto a Santa Sé vive a solidão e a indiferença na Quinta-feira Santa, propriamente dita, em Corpus Christi a caminhada ocorre na alegria da Ressurreição, cumprindo a ordem de levar o Evangelho a todas as nações.

“A procissão manifesta visivelmente essa fé. Ao percorrer as ruas de nossas cidades, levamos o Santíssimo Sacramento ao encontro das pessoas, recordando que Cristo caminha conosco nas alegrias e desafios da vida cotidiana”, declara a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por meio de dom Carlos José, bispo da diocese de Apucarana (PR).

Em Campinas

A comemoração engloba missas, procissões e confecção de tapetes feitos de flores, pó de café, trigo, areia, serragem e casca de ovo. A montagem dos tapetes ocorre na noite de quarta-feira (3).

Já na Catedral Metropolitana, após a missa das 9h30, há procissão até o Templo Votivo. A Basílica do Carmo também realiza o cortejo. Paróquias na Vila Industrial e no Jardim das Paineiras dispõem de programações específicas.

Pela primeira vez, em 90 anos de existência, a Paróquia Nossa Senhora das Dores (na Maria Monteiro, 1212, no Cambuí) confecciona o tapete. Haverá missa às 8hh e procissão com a bênção do Santíssimo.

A escritora Ana Lúcia Vasconcelos, tradutora do livro Eu Vejo a Virgem, lembra que a festa "é uma das mais importantes da Igreja porque celebra a festa do Corpo de Cristo, ou seja, quando Jesus, antes da paixão e morte, na última ceia, instituiu a Eucaristia", diz, evocando ‘Este é o meu corpo, este é o meu sangue. Façam isso em minha memória’ (Lucas 22: 19).

"É Deus que se faz alimento para a humanidade, para quando Ele parte, Ele fala que Ele não vai nos deixar órfãos. ‘Vou estar com vocês, vou mandar o Espírito Santo, vou estar com vocês até o fim dos dias. E Ele se dá completamente, ou seja, Ele se dá em alimento, ou seja, é um Deus que se faz alimento para Seus filhos amados”, pontua. 

Arquivo Pessoal - A escritora Ana Lúcia Vasconcelos

Procissões

Paróquia Nossa Senhora das Dores (Cambuí): 9h às 10h
Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Taquaral): 9h30 às 10h30
Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Jardim Proença): 9h30 às 11h30
Paróquia Imaculado Coração de Maria (Jardim Flamboyant): 9h45 às 11h
Paróquia São Judas Tadeu (Vila Orosimbo Maia): 10h às 11h
Paróquia São Jerônimo Emiliani (Fazenda Santa Cândida): 10h15 às 11h15
Paróquia Santo Antônio (Ponte Preta): 10h40 às 12h
Igreja São José (Vila Industrial): 14h30 às 16h30
Paróquia São Charbel (Jardim das Paineiras): 15h às 18h
Paróquia São João Batista (Jardim Maria Rosa): 16h15 às 18h
Igreja Nossa Senhora Auxiliadora (Jardim Nossa Senhora Auxiliadora): 17h às 18h30
Santuário Nossa Senhora do Guadalupe (Vila Castelo Branco): 17h às 19h
Paróquia Nossa Senhora da Piedade (Jardim Esplanada): 18h às 19h

Origem

A comemoração remonta ao século XIII, na diocese de Liége, na Bélgica, a partir da iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, que teria, por meio de experiências místicas, recebido pedidos para a criação de uma festa litúrgica anual dedicada à Sagrada Eucaristia.

Paralelamente, o Padre Pedro de Praga, originário da Boêmia, celebrou uma missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, na Itália, onde, segundo o Vaticano, ocorreu um milagre eucarístico.

Ainda de acordo com Roma, da hóstia consagrada brotaram gotas de sangue após o momento da consagração, quando o sacerdote se questionava sobre a presença real de Cristo na hóstia. O Papa Urbano Quarto, que residia em Orvieto, cidade vizinha a Bolsena onde também habitava Santo Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo a transferência das relíquias de Bolsena para Orvieto.

O translado ocorreu em procissão e, ao encontrar o cortejo na entrada da cidade, o pontífice pronunciou a expressão Corpus Christi diante da hóstia. Em 11 de agosto de 1264, o Papa promulgou a Bula Transiturus de mundo, instituindo a celebração oficial na quinta-feira após a oitava de Pentecostes. Santo Tomás de Aquino recebeu a tarefa de compor o Ofício da celebração.

O pontífice, que havia exercido a função de arcediago em Liége, conhecia a Beata Cornillon e validava a sinceridade de seus relatos. No ano de 1290, iniciou-se a construção da Catedral de Orvieto em pedras pretas e brancas, denominada Lírio das Catedrais.

Antes disso, em 1247, houve a primeira procissão pelas ruas de Liége, expandindo-se para toda a Bélgica e, no século XIV, para o mundo, quando o Papa Clemente Quinto confirmou a determinação de Urbano Quarto, tornando a festa um dever canônico universal.

Em 1317, o Papa João Vigésimo Segundo inseriu na Constituição Clementina a obrigação de conduzir a Eucaristia em procissão pelas vias públicas, fixando a data na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.