Campinas interdita parcialmente Praça do Coco após MP pedir nova análise sobre árvore

Por Moara Semeghini - Campinas

Promotoria suspendeu nesta quarta-feira (13) a extração da árvore remanescente da Praça do Coco após questionamentos do Condema, pesquisadores, alguns vereadores e moradores.

A Prefeitura de Campinas realiza, a partir desta terça-feira (2), a interdição parcial de um trecho da Praça do Coco, no distrito de Barão Geraldo. A medida preventiva de segurança isolará uma área em um raio de 22 metros no entorno de uma árvore da espécie Ficus, localizada nas proximidades do parque infantil.

A decisão foi tomada após despacho do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) na última sexta-feira (29 de maio), que questionou a necessidade de manter a área totalmente liberada diante dos apontamentos de um parecer técnico elaborado pelo professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), que indica risco de queda da árvore remanescente existente no local.

Segundo a administração municipal, será isolada uma área em um raio de 22 metros ao redor do exemplar da espécie Ficus localizado próximo ao parque infantil. A Prefeitura informou que o documento citado pelo Ministério Público é o mesmo parecer técnico divulgado em maio e utilizado anteriormente para justificar a supressão das árvores na praça.

O Ministério Público também notificou o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema) para que apresente, até quarta-feira (3), uma manifestação técnica sobre o conteúdo do parecer.

A nova movimentação ocorre após semanas de controvérsia envolvendo a retirada de árvores na Praça do Coco. Em 28 de abril, a Prefeitura promoveu a extração de duas figueiras de grande porte, com cerca de 15 metros de altura e aproximadamente 50 anos de idade. A medida gerou protestos de moradores, ambientalistas e frequentadores do tradicional espaço de convivência de Barão Geraldo.

Após os cortes, especialistas ligados ao Comdema, à USP, à Unicamp e à Unesp realizaram avaliações independentes das árvores. Os exames utilizaram técnicas como tomografia sônica e ultrassônica e concluíram que os exemplares apresentavam condições de preservação, divergindo dos documentos utilizados pela Prefeitura para justificar a supressão.

Em 13 de maio, diante da divergência entre os pareceres técnicos, a 12ª Promotoria de Justiça de Campinas determinou a suspensão imediata da retirada da árvore remanescente. Na ocasião, a promotora Luciana Ribeiro Guimarães Viegas de Carvalho reconsiderou entendimento anterior e afirmou que o laudo apresentado pelo Comdema havia sido produzido por equipe multidisciplinar, com vistorias presenciais e metodologia detalhada.

No despacho, a promotora destacou a existência de “divergência técnica relevante” e determinou que a Secretaria Municipal de Serviços Públicos suspendesse qualquer intervenção na árvore até nova deliberação. Também foi solicitado um contralaudo técnico presencial e uma manifestação específica da Prefeitura sobre os fundamentos apresentados pelo Comdema.

Agora, o Ministério Público voltou a se manifestar após analisar os apontamentos do parecer elaborado pelo professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho. O documento sustenta que a árvore apresenta elevado risco de queda em razão de fragilidade estrutural, comprometimento da base, presença de cupins, instabilidade do solo e copa seca.

Enquanto aguarda a nova manifestação do Comdema, a Prefeitura afirma que a interdição parcial da praça tem caráter preventivo e busca garantir a segurança dos frequentadores.

O caso continua sendo acompanhado pelo Ministério Público e pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, que deverá apresentar nos próximos dias uma nova avaliação técnica sobre a situação da árvore remanescente.